Arquivos por Categoria: História

Posts ligados à história da neurociência nacional e mundial

Resenha crítica: ‘Muito além do nosso eu’ de Miguel Nicolelis

Autor: Eli Vieira
Publicado originalmente no blog Amálgama.

Em Muito além do nosso eu, de Miguel Nicolelis, somos conduzidos a páginas e mais páginas de um relato exaustivo dos motivos pelos quais o autor está no time correto de neurocientistas. Em algo que lembra aquelas discussões de torcedores do Palmeiras contra torcedores do Corinthians, o autor tenta nos convencer de que os distribucionistas, que acreditam que o cérebro trabalha como um todo integrado de processamento paralelo distribuído em populações de neurônios, ganharão inexoravelmente o debate contra os ingênuos e tolos localizacionistas, que, por acreditarem que existem áreas cerebrais especializadas em certas funções mentais, só podem ser herdeiros da pseudociência de Franz Gall (frenologia), que buscava prever habilidades psicológicas a partir de assimetrias cranianas.

Um exército de metáforas desfila, às vezes num ritmo tão caótico quanto o das tempestades cerebrais de que tanto fala Nicolelis, para nos mostrar que o “reducionismo” está fora de moda e o caminho correto das ciências da mente será o de considerar populações de neurônios como a unidade funcional do cérebro, não o neurônio como tentam nos convencer os desatualizados e obscurantistas livros-texto de neurociência. Leões caçam em bandos, um leão solitário nada pode. A campanha das Diretas Já com multidão de centenas de milhares de manifestantes, que Nicolelis testemunhou in loco, de nada adiantaria se fosse um único manifestante bradando palavras de ordem contra a ditadura militar. E é por isso, além é claro também pelos inúmeros dados experimentais apresentados no livro, que devemos adotar o distribucionismo e suas consequências. Leia Mais »

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Explorando o cérebro do paciente H.M.

HM

Começou no dia 02/12, quarta-feira,  na Universidade de San Diego, na Califórnia,  a análise do encéfalo de um dos pacientes mais conhecidos das neurociências, o paciente H.M.

Aos 27 anos, Henry Gustav Molaison, foi submetido a uma cirurgia que retirou uma grande porção de seus lobos temporais mediais para curar sua epilepsia. Após a cirurgia, H.M. se tornou incapaz de formar novas memórias episódicas.

Estudado exaustivamente por neurocientistas, o paciente  H.M. faleceu no final do ano passado,com 82 anos de idade. Há alguns anos ele consentiu a doação de seu encéfalo para estudos para um grupo de neurocientistas da UCLA. O grupo, liderado pelo Dr. Jacopo Annese,  irá  fatiá-lo durante um processo que levará cerca de dois dias, produzindo aproximadamente 2.500 amostras de tecido para análises.

O mais interessante é que você pode acompanhar ao vivo todo este processo. Veja no site: http://thebrainobservatory.ucsd.edu/hm_live.php

Abaixo temos momentos diferentes com imagens do micrótomo fatiando o encéfalo (à esquerda), do painel do micrótomo (à direita superior) e do laboratório (à direita inferior).

H.M.slice Leia Mais »

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Little Albert encontrado

Este último ano foi cheio de revelações sobre personagens marcantes da história da psicologia e neurociências. Após a morte de H.M. e a descoberta de uma foto de Phineas Gage, agora é a vez do destino do Pequeno Albert ser revelado. O famoso “Experimento do Pequeno Albert” é discutido em todos os cursos introdutórios de psicologia e suas conclusões são alvo de grande discussão até hoje.

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In Search of Memory – Documentário sobre a vida de Eric Kandel

In search of memory

“Memory is everything. Without it we are nothing,” diz o neurocientista Eric Kandel, ganhador do prêmio Nobel em 2000 por suas pesquisas sobre a fisiologia envolvida no armazenamento das memórias.

Eric Kandel nasceu em Vienna, Áustria, em 1929 numa família de classe média-baixa de judeus. Quando os nazistas invadiram a cidade em 1938, Kandel e sua família foram forçados a deixar sua casa, saqueada em seguida. Depois de seu pai ser preso por uma semana e seus amigos os abandonarem, sua família ainda teve que esperar pela documentação que permitiria a emigração para os Estados Unidos, o que foi conseguido somente em 1939. Mesmo em outro país, Kandel conta que as dificuldades passadas por ele quando era pequeno o acompanham pela vida toda. Seu interesse em neurociências começou quando estudava a história da Europa.

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Phineas Gage, é você?

phineas_gageSe você já fez um curso de neurofisiologia, com certeza já ouviu falar de Phineas Gage (1823-1860). Operário de uma empresa de trilhos de trem, ele sofreu um grave acidente com uma barra de ferro que atravessou seu crânio. Seu acidente provocou estranhas mudanças em sua personalidade e por isso ele é, até hoje, um dos exemplos mais utilizados ao se falar da relação entre cérebro e comportamento. Leia Mais »

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Darwin, evolução e Neurociências

O ano de 2009 foi denominado pela International Union of Biological Sciences como o ‘Ano de Darwin’*, não somente porque se comemoram 200 anos desde o nascimento de Darwin, ocorrido em 12 de fevereiro de 1809, mas também porque se completam 150 anos desde a publicação de A origem das Espécies (do original em inglês, On the Origin of Species by Means of Natural Selection) em novembro.

Antes de Darwin, a maioria das pessoas aceitava idéias de que o mundo natural fora criado. As espécies não eram conectadas numa única “árvore da vida”, pelo contrário, eram completamente separadas, vistas como entidades não relacionadas entre si, como se não houvesse um parentesco entre elas. Os seres vivos eram concebidos como criaturas criadas num passado remoto e teriam permanecido inalterados ao longo dos tempos, sem qualquer mudança, pois o planeta Terra era considerado muito jovem – com cerca de 6000 anos de idade. Portanto, de acordo com a lógica da ocasião, não haveria tempo suficiente para as espécies se alterarem. De acordo com essas noções, o ser humano não seria parte do mundo natural, estaria completamente fora dele e, na verdade, estaria “bem acima disto!”.
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Prêmio para melhor post no coNeCte

Quer divulgar alguma notícia interessante que leu? Quer escrever sobre neurociências ou divulgar seu trabalho? E que tal, ainda por cima, ganhar um vale-presente no valor de R$300,00 da Livraria Cultura?

Está aberto o concurso da SBNeC para escolher o melhor post em seu blog, o coNeCte. Para participar, basta escrever um post para qualquer uma das categorias do blog (instruções sobre como enviar posts podem ser obtidas aqui).

Os interessados deverão enviar seus posts até o próximo dia 30 de maio, os quais serão publicados conforme forem sendo submetidos. Os melhores posts serão escolhidos pelos sócios em dia da SBNeC por meio de uma votação online, realizada no próprio blog, entre 1 e 15 de junho de 2009.

A SBNeC concederá os seguintes prêmios aos autores* dos três posts mais votados:

1° lugar: vale-presente de R$300,00 da Livraria Cultura + anuidade da SBNeC para 2010.

2° lugar: pendrive de 8 Gb + anuidade da SBNeC para 2010.

3° lugar: anuidade da SBNeC para 2010.

Por isso, inscreva seu post para que todos possam votar nele! E boa sorte!

(*) Os atuais organizadores do coNeCte continuarão postando no blog durante esse período, mas não participarão do concurso.
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A ciência vale a pena?

O desenvolvimento da ciência e do pensamento lógico promoveu avanços robustos ao longo da história, permitindo ao homem viver mais e melhor. Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos e na comunicação de massa estimularam as pessoas a viver com soluções prontas, o que as afastou demasiadamente do pensamento científico. A vida em regime democrático depende crucialmente de uma cultura científica, que potencializa as liberdades individuais e coletivas. Nesse texto, a cultura científica é discutida em seus aspectos históricos e, em contraposição às pseudociências, que oferecem falsas soluções para as demandas sociais, é defendida como instrumento de desenvolvimento social.

Veja o artigo completo no site da Revista da Biologia (IB-USP):

http://www.ib.usp.br/revista/ (volume 2)

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Um pouco da nossa história

Quem se interessa pela história da neurofisiologia brasileira pode dar uma olhadinha no texto do saudoso Professor Cesar Timo-Iaria no site da SBNeC.

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Galvani, Helmholtz e a velocidade do pensamento…

Do que são feitos nossos pensamentos? Sensações, percepções, desejos e crenças aparentemente ocorrem dentro de nossos cérebros, mas são feitos de quê? Certamente não do mesmo tipo de substância que compõe uma pedra, uma mesa ou um livro. Na verdade, talvez nada possua uma natureza tão imaterial quanto um pensamento, a ponto do filósofo francês René Descartes, nos idos do século XVII, dividir o mundo em res extensa (aquilo que possui extensão, ou seja, o mundo da matéria) e res cogitans (a substância do pensamento). Essa dicotomia, também conhecida como corpo/alma, cérebro/mente, matéria/espírito, dominou as investigações neurocientíficas durante muito tempo, persistindo em certos bastiões até os dias de hoje. Enquanto a ciência teria acesso ao corpo, ao cérebro e à matéria, a alma, a mente ou o espírito não fariam parte do seu escrutínio. Todavia, pouco mais de um século após a proposta cartesiana, uma linha de investigação científica começou a mudar essa história.

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2000 anos de fenômenos subjetivos da visão: O testamento de Joseph Plateau

Leia como Joseph Plateau, precursor cego da técnica cinematográfica, sobrevoa 2000 anos de fenomenologia sensorial em uma bibliografia monumental.

Joseph Plateau (Joseph Antoine Ferdinand Plateau, Bruxelas, 1801 – Ghent, 1883) era um desses cientistas com mais interesses e talento do que tempo.  Viveu décadas turbulentas. Quando garoto, ouviu os canhões que derrotaram Napoleão em Waterloo e redesenharam a Europa. Viveu a independência do Brasil e, mais tarde, da própria pátria, a Bélgica. Era colega contemporâneo de Faraday e nasceu no mesmo ano que Fechner. Hoje, 125 anos depois da sua morte, ele é lembrado principalmente por contribuições na física, matemática e fisiologia óptica. Com a invenção do “fenakistiscópio“, um aparelho mecânico para a apresentação estroboscópica de imagens desenhadas, ele é reconhecido como um dos fundadores da técnica e arte da animação. O disco giratório também serviu para uma variedade de experimentos sobre a percepção de cores e luminosidade. Da dissertação de doutorado (uma obra de mestre de… 27 páginas!) até o fim da vida, era um estudioso árduo da sensação subjetiva, como pós-imagens ou “irradiação”, nome dado naquela época ao fenônemo da expansão subjetiva de áreas luminosas contra um fundo preto. Em 1829, deu a prova cabal da dedicação à ciência: em uma tentativa imprudente de obter uma impressão persistente de pós-imagem, olhou diretamente para o sol durante o que devem ter sido 25 segundos dolorosos.  Uma retinite solar deixou-o cego durante dias. Aos 43 anos, a visão de Plateau começou a se deteriorar, desta vez de maneira lenta e irreversível. Muitos, inclusive o próprio Plateau, acusaram o experimento incauto de 15 anos antes pela perda da visão. Porém, a doença que provavelmente causou a cegueira do Plateau era uveíte crônica, sem nenhuma relação com a retinite solar da juventude.

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Neurotree

Será que você e o ganhador do prêmio Nobel C. S. Sherrington tem alguma relação científica? Será que você é neto científico de São Thomas de Aquino? Podem parecer perguntas estranhas e quase impossíveis de serem respondidas (ao menos sem dispor de horas de pesquisa).

Porém, existe um jeito muito fácil de saber essas respostas. O site Neurotree permite a você conhecer toda sua árvore genealógica científica e saber qual a distância entre pesquisadores de Neurociências. Esse site é ligado ao projeto “The Academic Family Tree”, que tem como objetivo criar uma árvore genealógica interdisciplinar única. Algumas outras áreas possuem suas árvores genealógicas, sendo que uma das maiores e mais famosas atualmente é a de Matemática. Leia Mais »

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