Arquivos por Categoria: Neurosfera

“Neurosfera” é reunião das contribuições dos neuroblogueiros que gostam de fazer resenhas, opinar e divulgar novidades na linguagem da blogosfera (qualquer semelhança com o artefato homônimo que pode surgir em culturas de células-tronco não é coincidência).

Direito e Neurociências, Neurodireito: o que é isso?

Quando me perguntam qual a minha formação, respondo que sou graduado em Direito e mestrando em Neurociências pela UFMG. A resposta costuma despertar um misto de espanto e interesse nos interlocutores.

Não deveria causar surpresa, porém, quando se tem em vista a profusão de estudos, na literatura recente, que exploram a interface entre Direito e Neurociências.

Um marco importante disso foi um número do tradicional periódico Philosophical Transactions of the Royal Society B em 2004, especialmente dedicado ao tema. Ali se questionava se haveria sentido em tratar questões de interesse dos juristas a partir da ótica dos neurocientistas. Em 2009, a Behavioral Sciences & the Law fez a mesma pergunta, noutro número especial. Mais do que uma resposta afirmativa, o que se teve foi um pontapé para uma profícua área de estudos.

O campo que hoje se denomina “Law and Neuroscience”, ou ainda, “Neurolaw” (Neurodireito), concentra-se em algumas questões, endereçadas com mais frequência. Leia Mais »

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Ciência Psicodélica no século XXI

Psicodélico – Termo cunhado pelo psiquiatra britânico Humphry Osmond, em carta ao escritor e amigo Aldous Huxley, unindo os termos gregos “ψυχή” (psyche, mind) e “δήλος” (delos, manifesting), resultando em “Que manifesta a mente”

Eles estão de volta à bancada. Depois do uso disseminado pelas massas beatniks e hippies nos anos 60 nos EUA e da forte repressão que se seguiu em todo o mundo, os psicodélicos finalmente reencontraram seu rumo médico-científico, que sofreu muito mais com a proibição do que o uso ilegal por artistas, músicos, psiconautas, curandeiros, xamãs e aventureiros em geral. A escalada científica das substâncias encabeçadas pelo LSD, provavelmente a molécula mais famosa do mundo, fica evidente se examinarmos apenas alguns acontecimentos marcantes da primeira década do admirável século novo: os simpósios psicodélicos que rolaram em Basel, na Suíça; em 2006 comemorando o centenário de Albert Hofmann, pai do LSD e identificador da psilocina e psilocibina, e novamente em 2008, ano em que Hofmann faleceu aos 102 anos. Esta escalada conta também com a publicação de dois artigos surpreendentes pela equipe do pesquisador Roland Griffiths (Johns Hopkins) mostrando que a experiência controlada com psilocibina é capaz de evocar experiências místicas que mudam por completo a vida dos voluntários (Psychopharmacology, 2006 vol. 187 p. 268) e cujos efeitos puderam ser estatisticamente verificados em um estudo com os mesmos sujeitos 14 meses após a experiência com o princípio ativo dos cogumelos mágicos (Journal of Psychopharmacology, 2008 vol. 22 p. 621). Nada que os hippies, beatniks, curandeiros, xamãs e psiconautas não soubessem há décadas (em alguns casos até séculos). Este resultado também já havia sido demontrado em Harvard no início dos anos 60, na famosa tese de doutorado em religião defendida por Walther Pahnke, antes da polêmica expulsão de Tim Leary e Richard Alpert (Ram Dass), que viria a catapultá-los como pais da contracultura psicodélica nos anos seguintes. Ainda assim, re-evidenciar o fato (re-search) com os mais rigorosos e criteriosos métodos da chamada ciência hard-core moderna e publicá-los em revistas de alto impacto é pra chacoalhar mesmo os mais materialistas e reducionistas da área. Pra quem gosta de acompanhar assuntos quando estes chegam ao topo, os psicodélicos já estão lá: no fim de 2009 saiu, pela primeira vez em décadas, um artigo publicado na Science com a palavra “hallucinogen”: a identificação do receptor Sigma-1 como alvo do DMT (Science, 2009 vol. 323 p. 934), princípio ativo de diversas plantas xamânicas da amazônia, sendo a principal uma das duas que formam a combinação conhecida como ayahuasca, ou yagé.

Mas não é só isso. A neurociência que se prepare. Os tempos de abrir a cabeça estão apenas começando. A escalada psicodélica nos laboratórios, básicos e clínicos, consagrou-se no mês de Abril de 2010 na Califórnia, berço do movimento contra-cultura dos anos 60. Foi entre os dias 15 e 18 que a MAPS, Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos, conseguiu reunir em San José, próximo de São Francisco, cerca de mil interessados no ramo, de várias partes do mundo. A chegada no congresso já deixava claro que se tratava de um evento ímpar. Hippies de roupas bizarras e cabelos coloridos, dreads e tatuagens dividiam espaço nos auditórios e nos ambientes a céu aberto com pesquisadores engravatados, estudantes, repórteres, médicos e muita gente descontraída. A conferência foi co-organizada pelas instituições parceiras da MAPS: o Conselho sobre Práticas Espirituais (CSP), o Heffter Research Institute e a Beckeley Foundation.

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Meu tio da América (Mon oncle d’Amérique)

Sinopse

O filme conta a história de três personagens, René (Gérard Depardieu) que é um ex-fazendeiro que se torna gerente de uma empresa que passa por um período de corte de funcionários, Janine que é uma atriz talentosa envolvida com um homem casado que conheceu em um dos seus espetáculos e Jean que é um escritor e político em ascenção, insatisfeito com sua vida pessoal e que precisa tomar decisões importantes em sua vida. Durante a trama os atos dos personagens são utilizado para ilustrar as teorias do comportamento humano do professor Henri Laborit que aparece no filme como narrador. O filme que mistura ficção e documentário foi premiado na França e indicado ao oscar de melhor filme estrangeiro em 1981. Leia Mais »

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Um pálido ponto azul

“Não explicar a ciência me parece perverso”

Carl Sagan

Para todos aqueles que além do trabalho diário em sala de aula e laboratórios nos empenhamos para fazer da ciência e do método científico um bem coletivo, o mês de setembro deste ano marcará uma data extremamente representativa. Trinta anos atrás, precisamente num 28 de setembro de 1980, ia ao ar o primeiro capítulo da série Cosmos, do inesquecível Carl Sagan. Leia Mais »

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A Neurociência no fio da navalha

Cena do filme “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick, 1971

Cena do filme “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick, 1971

How likely is it that the society of the future will incorporate the science of control into politics of governing? The answer, we think, will depend heavily on choices people make now.

Scheflin and Opton, The mind Manipulators

Em manifestação recente para a edição de 08 de fevereiro deste ano da revista “New Scientist”, o pesquisador Curtis Bell, da “Oregon Health and Science University”, em seu artigo “Neurons for peace: Take the pledge, brain scientists”, assinalou a importância capital da manifestação dos neurocientistas de todo mundo pelo uso responsável das Neurociências no desenvolvimento de tecnologias.

Passadas décadas, as Neurociências não são mais, desde longe, uma ciência puramente básica, que vê suas aplicações apenas nas mentes dos escritores de ficção científica. Hoje o seu aprimoramento torna clara a sua aplicação em tecnologias médicas e computacionais, mas abre igualmente brechas para o seu mau uso no desenvolvimento de armamentos e tecnologias de controle comportamental.

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Hemisferectomia

Hemisferectomia Este filme é sobre uma menininha que a partir dos três anos começou a apresentar uma epilepsia muito incapacitante, pois ela perdia o controle de todo o seu lado esquerdo do corpo. Depois de diversos exames, verificou-se que o foco da epilepsia estava no hemisfério esquerdo da menina, Jody. Então, após tentarem inúmeros medicamentos sem sucesso, optaram por uma cirurgia polêmica: remover todo o hemisfério direito (exceto as áreas mais fundamentais para sobrevivência, como estruturas envolvidas no controle da respiração e batimento cardíaco, como o tronco encefálico por exemplo) da Jody e encher com líquido. A recuperação da menina foi incrível! E acessando o link e vendo o filme, vocês podem ver como nosso cérebro é plástico, principalmente na infância!

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Usando a LÍNGUA para VER

Using tongue to see Parece impossível, mas é o que está se mostrando possível em experimentos utilizando um equipamento chamado brain port. Ele é baseado em uma câmera que transformam as imagens em impulsos elétricos em um eletrodo colocado na língua. Com treino esse equipamento treina o cérebro que os sinais da língua são visuais, e  eles começam a ser processados em áreas cerebrais visuais.  O vídeo (clique no link para assistir) é uma matéria da CBS News Video que mostra com detalhes como este equipamento funciona, além de apresentar cegos que já utilizam este equipamento experimentalmente!

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Prêmio para melhor post no coNeCte – 2ª edição

Quer divulgar alguma notícia interessante que você leu? Quer escrever sobre neurociências ou divulgar seu trabalho? E que tal, ainda por cima, ganhar R$400,00 reais e a anuidade de 2011?

Está aberta a 2ª edição do Concurso de Melhor Post do blog da SBNeC, o coNeCte. Para participar, basta escrever um post  em qualquer uma das categorias do blog (veja as instruções sobre como enviar posts). Leia Mais »

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