ARTSCI na computação: de volta aos primórdios PALESTRA Daniel Cukier
Locaweb – SP
Unir arte com a Ciência da Computação não é algo muito comum, daí a dificuldade de se encontrar trabalhos que relacionam esses dois temas aparentemente desconexos. Trazemos, então, algumas referências de autores que já citaram de alguma forma como a ciência e a computação se relacionam com a arte. Segundo Donald Knuth, que escreveu um dos livros mais famosos da Computação: The Art of Computer Programming, a programação deixou de ser uma arte para tornar-se ciência por uma simples razão: começamos a chamá-la de “ciência da computação”. Knuth ainda diz que: “ciência seria o conhecimento que compreendemos tão bem que conseguimos ensiná-lo a um computador; se você não compreende algo totalmente, então seria uma arte lidar um isso (…) Existe uma distância enorme entre o que os computadores podem fazer e o que as pessoas podem fazer. As visões incríveis que as pessoas têm quando falam, escutam, criam ou mesmo quando programam estão longe do alcance da ciência; quase tudo ainda é uma arte (…) A Ciência sem a Arte é suscetível a se tornar ineficaz; a Arte sem a Ciência é suscetível a se tornar imprecisa (…) Precisamos combinar ciência com valores artísticos se quisermos progredir de verdade”. Estes e outros pensamentos contemporâneos serão tratados na oportunidade deste exercício de fusão de arte e ciência.
(http://anatomiadaspaixoes.blogspot.com/)



6 Comentários
Acho que vou ter que ler o livro do Knuth para entender esta frase; “a Arte sem a Ciência é suscetível a se tornar imprecisa (…)”
Suponho que foi tirada do contexto. A arte é precisa???????
A resposta pode ser encontrada no artigo do próprio Knuth:
“Computer Programming as an Art”
http://www.paulgraham.com/knuth.html
Muito bom o artigo Daniel, obrigado pela referência. Vou estudá-la com mais atenção. Curiosamente, a frase que eu citei diz respeito “à arte de fazer dicionários”:
“The making of a dictionary is both a science and an art.” The editor of Funk & Wagnall’s dictionary [27] observed that the painstaking accumulation and classification of data about words has a scientific character, while a well-chosen phrasing of definitions demands the ability to write with economy and precision: “The science without the art is likely to be ineffective; the art without the science is certain to be inaccurate.”
Eu suspeito que poucos artistas contemporâneos concordariam com o texto de Knuth, mas é apenas uma suspeita.
Suspeito tb que arte e ciência têm seus próprios ethos. Existem diferenças teóricas fundamentais, que não são citadas no texto. São conjuntos separados, com áreas de intersecção. Sobre essas áreas de intersecção gosto de um texto do lingüista e poeta Carlos Vogt:
“De nosso ponto de vista, embora haja distinções teóricas e metodológicas fundamentais entre arte e ciência, há entre elas algo poderosamente comum. Trata-se da finalidade compartilhada por ambas, que é a da criação e a da geração de conhecimento, através da formulação de conceitos abstratos e ao mesmo tempo, por paradoxal que pareça, tangíveis e concretos. No caso da ciência essa tangibilidade e concretude se dá pela demonstração lógica e pela experiência; no caso da arte, pela sensibilização do conceito em metáfora e pela vivência. “
Mesmo esta frase acho que seria contestada por boa parte dos artistas que conheço. Mas daqui a pouco vem um deles e comenta.
Abraço
Caro Roelf,
Gostaria de agradecer a contribuição. Que bela discussão você abre, junto ao Daniel. É com esse nível de profundidade epistemológica que gostaria de efervescer nossas questões neste artsci.
Me identifico e à linha de problematização de meu grupo, completamente, com (seu transcrito do) Vogt.
grata, e esperando vê-lo lá
Maira
Obrigado Maira. Na realidade eu acho fascinante essa proposta de vocês. Mas minha dúvidas são bem mais primárias. Eu não entendo qual o valor adaptativo de termos desenvolvido a necessidade da expressão artística (qualquer gênero). O da ciência é um pouco mais fácil de entender, já que um dos seus produtos, a tecnologia, oferece vantagens adaptativas óbvias para nossa espécie. Fazer e apreciar arte é mesmo um subproduto de termos o cérebro que temos? Ou é a versão humana da cauda do pavão? De fato, precisamos de um novo olhar.
Abraço
Nada primárias. Na verdade, vejo nesta ‘a questão’: que fio de continuidade é este que une, num mesmo homem debruçado sobre um mesmo ‘objeto’, a apreciação estético-emocional e a lógica, conforme a conhecemos? Minha especulação: o arrebatamento, o “insight” intelectual, revestido de sensações em níveis classificáveis como estéticos e emocionais/ sentimentais. Precisamos responder a esta questão 1. de forma armada, sobre o chão seguro de nossas verdades consensuais (ainda que transitórias) providas no valor do método científico, e 2. urgentemente, no melhor sentido da palavra. Se pretendemos, em profundidade, avançar pelas nossas grandes questões, nossos ‘hard problems’, como hoje impacta para nós, neurocientistas, a consciência. Obrigada Roelf! Abraço pra ti também