Cara(o) Sócia(o) da SBNeC,
Em matéria divulgada pela Folha de S. Paulo (FSP) em 14 de julho último, de autoria do jornalista Eduardo Geraque e intitulada “Cientistas fazem carta pró-maconha”, afirma-se que os cientistas signatários da referida carta, reproduzida abaixo, “falam em nome da SBNeC (Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento), que representa 1.500 pesquisadores”. Nesse sentido, a SBNeC vem a público com intuito de prestar alguns esclarecimentos relativos a este episódio, os quais se fazem necessários e urgentes.
À parte outras imprecisões presentes na matéria, publicada tanto na versão impressa quanto na versão online da FSP, é necessário esclarecer que as opiniões ali divulgadas não refletem uma posição oficial adotada pela SBNeC ou por seus associados. A SBNeC, Sociedade existente há 33 anos e atualmente composta por cerca de três mil membros (ao contrário dos 1500 mencionados na matéria), defende, sim, a necessidade de uma ampla discussão sobre o tema, cujo debate já fora incluído na programação de nosso XXXIV Congresso Anual, que será realizado em setembro próximo. É este o teor da carta original (reproduzida abaixo), assinada por quatro neurocientistas (três deles membros da atual diretoria da SBNeC) e cuja publicação foi por mim autorizada.
No entanto, qualquer posicionamento da SBNeC só poderá ser definido, tal como tem sido a conduta desta Sociedade ao longo de sua história, depois de ouvidas e devidamente ponderadas as manifestações de seus membros.
Embora a carta divulgada pela FSP, assinada por três de seus diretores e por mim avalizada, represente a opinião da atual Diretoria da SBNeC, os demais elementos presentes na matéria publicada na FSP não expressam a qualquer tempo a opinião da SBNeC tal como instituição ou, menos ainda, a opinião dos quase três mil sócios que representa.
Esperamos que este episódio, ainda que lamentável, possa servir para motivar uma discussão mais detida e cuidadosa sobre um tema tão relevante à sociedade.
Marcus Vinícius C. Baldo (Presidente, SBNeC – Gestão 2008-2011)
“A planta Cannabis sativa, popularmente conhecida como maconha, é
utilizada de forma recreativa, religiosa e medicinal há séculos mas só
há poucos anos a ciência começou a explicar seus mecanismos de ação.
Na década de 1990, pesquisadores identificaram receptores capazes de
responder ao tetrahidrocanabinol (THC), princípio ativo da maconha, na
superfície das células do cérebro. Essa descoberta revelou que
substâncias muito semelhantes existem naturalmente em nosso organismo,
permitiu avaliar em detalhes seus efeitos terapêuticos e abriu
perspectivas para o tratamento da obesidade, esclerose múltipla,
doença de Parkinson, glaucoma, ansiedade, depressão, dor crônica,
alcoolismo, epilepsia e dependência de nicotina, entre outras
enfermidades. A importância dos canabinóides para a sobrevivência de
células-tronco foi descrita recentemente pela equipe de um dos
signatários, sugerindo sua utilização também em terapia celular.
Em virtude dos avanços da ciência que descrevem os efeitos da maconha
no corpo humano e o entendimento de que a política proibicionista é
mais deletéria que o consumo da substância, vários países alteraram
suas legislações no sentido de liberar o uso medicinal e recreativo da
maconha. Ainda que sem realizar uma descriminalização franca do uso e
do cultivo, o Brasil veta (através do artigo 28 da Lei 11.343 de 2006)
a prisão pelo cultivo de maconha para consumo pessoal, e impõe apenas
sanções de caráter socializante e educativo. Infelizmente
interpretações variadas sobre esta lei ainda existem. Um exemplo disto
está no equívoco da prisão do músico Pedro Caetano, integrante da
banda carioca Ponto de Equilíbrio. Pedro Caetano está há mais de uma
semana numa cela comum acusado de tráfico de drogas. O enquadramento
incorreto como traficante impede a obtenção de um habeas corpus para
que o músico possa responder ao processo em liberdade.
A discussão ampla do tema é necessária e urgente para evitar a prisão
daqueles usuários que, ao cultivarem a maconha para uso próprio, optam
por não mais alimentar o poderio dos traficantes de drogas. Em seu
próximo congresso, de 8-11 de setembro próximo, a Sociedade Brasileira
de Neurociências e Comportamento (SBNeC) irá contribuir para a
discussão deste tema pouco conhecido da população brasileira. Um
painel de discussões a respeito da influência da maconha sobre a
aprendizagem e memória e também sobre as políticas públicas para os
usuários será realizado sob o ponto de vista da neurociência. É
preciso rapidamente encontrar um novo ponto de equilíbrio.“
Cecília Hedin-Pereira (UFRJ)
João Menezes (UFRJ)
Stevens Rehen (UFRJ)
Sidarta Ribeiro (UFRN)



38 Comentários
Caros Mestres,
Como neurocientistas temos mesmo responsablidade social e precisamos colocar o tema em pauta para um futuro posicionamento em relação ao uso da maconha. Uma pena a imprensa brasileira ser tão sensacionalista, aliás crediblidade a imprensa no mundo… Só por aqui mesmo.
Estão de parabéns os corajosos cientistas. Chega de hipocrisia e de encher as cadeias já superlotadas, com usuários de cannabis, que não são bandidos nem ameaçam a integridade de ninguém.
Falo com conhecimento de causa, pois minha filha fez uso de cannabis por mais de dez anos e sempre foi uma pessoa responsável, sempre trabalhou, sempre foi boa mãe e jamais representou uma ameaça a quem quer que seja. Minha filha odiava cocaína ou qualquer outro tipo de droga.
Cannabis para ela fazia parte da religião que ela seguia, que para ela era uma motivação de vida e uma especie de ritual como um tributo a Jah, que para os rastafáris é o mesmo que Deus.
Hipocrisia e cinismo é o Governo liberar e até incentivar o consumo de álcool , que é a pior praga que existe, apenas por ganância pelos lucros que ele gera.
Sugiro começarmos uma campanha nacional pela descriminalização da maconha e a proibição da venda de álcool, este sim, o grande responsável pela destruição de milhões de famílias e de vidas inocentes.
Que mal faz alguém plantar em casa pés de maconha para consumo próprio?
Enquanto isso, assassinos de crimes hediondos estão aí soltos, com direito a responder seus processos e inúmeros recursos em liberdade.
Parabéns novamente pela coragem e bom senso e contem sempre com meu apoio e admiração.
Regina
Acho imprescindível que a carta seja aberta para receber assinaturas de demais membros e talvez não membros da SBNeC. Com relação aos membros, serviria como instrumento de medida da opinião geral da SBNeC sobre o tema. Envolvendo não membros teria mais apelo junto a sociedade em geral.
Apoio incondicionalmente a iniciativa, assino embaixo, e chamo a todos a assinarem também a declaração de vienna, como o fiz ontem aqui: http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2010/07/14/o-comeco-do-fim/
Parabéns a todos os envolvidos na iniciativa
edu
O tabu do uso da maconha – Canabis um santo remedio
ATENCAO – Os erros ortográficos que aqui no texto ocorrem são fruto do pouco conhecimento de um individuo brasileiro, estudioso em muitas áreas, lutador (no sentido esforcado da palavra), honesto, que nunca fez mal para ninguem, ama seus amigos e sua familia, crente a Deus mas desprovido de preconceitos religiosos ou fanatismos e compromissado com o esclarecimento e avanço da nossa nação. Pode ser pouco conhecedor da ortografia de nossa lingua, mas acima de tudo pretende falar de forma clara, transmitir uma mensagem e traduzir de forma precária um pensamento seu (porem compartilhado por muitos outros), abordando alguns pontos de forma geral, incompleta e desorganizada. Ou seja, é a primeira manifestacao e opiniao pessoal de um cidadão comum e de bem, como você aí!
Em relacao a reportagem da Folha de Sao Paulo veiculada em 14/07/2010 no caderno Cotidiano gostaria de fazer algumas observacoes: um assunto de suma importancia deveria estar na capa, no caderno de ciências/saúde. E no dia seguinte à publicação nao me parece que teve a devida repercussão que deveria dar tanto no proprio jornal quanto nos outros veiculos de comunicaçao, ou foi abafada. Porque na edição do dia 15/07/2010 apenas uma pequena nota estava escondida no meio do caderno cotidiano. E alem do mais nao consegui encontrar a fonte fidedigna e original da carta da SBNeC na internet, de forma que ficamos dependentes apenas da veiculacao da Folha e dizendo que veio de certas pessoas, sem realmente ver com os meus proprios olhos as pessoas e a carta.
O posicionamento desses pesquisadores em relação a canabis traduz, sem dúvida, a realidade atual do Brasil e do mundo. Pode ate ser impactante, porem é ao mesmo tempo retundante, principalmente para aqueles que realmente estao interagidos com os efeitos do seu uso cronico e com as pesquisas referentes ao assunto.
É impressionante como os aspectos medicinais e recreativos do uso da canabis são tão pouco abordados e quando o sao, sao apresentados com tanta perseguiçao e parcialidade. É um tabu sem precedentes.
A comunidade científica peca por ter demorar tanto para se posicionar perante esse tema. Por isso digo que essa carta demorou para sair. Fica a minha indignacao em relacao a essa omissao da comunidade cientifica em, devido a diversos motivos, nao estar abordando da forma que deve ser.
Em praticamente todos os grupos sociais existentes, há uma certa parcela que fazem uso da maconha. E não adianta dizer que são os mais irresponsáveis, mal carater, delinquentes, bandidos, drogados etc que fazem parte desse montante. Sim, essa parcela existe. Sim, existem pessoas que de forma primaria ou secundaria, direta ou indireta, tem suas mazelas causadas pelo uso da maconha. Mas o mais importante é que não só eles simbolizam aquilo que a maconha significa. O que digo é que além desses, os bons tambem fumam maconha. Existe uma fatia enorme dos que estão muito bem sucedidos, obrigado, e que fazem uso frequente sem que a maconha interfira de forma negativa, interferindo muito mais de forma positiva, em suas vidas. Os que podem nao ser bem sucedidos devido inumeros fatores e combinacoes de resultados que fizeram com que suas vidas fossem ferradas, também fazem uso da erva. Voce nao pode desconfiar, mas com certeza muitas pessoas que voce conhece e que admira em relacao ao seu carater e conduta fuma maconha, e isso nao o descredibiliza, ao contrario, talvez ele é tão bom assim porque nos momentos de reflexao profunda quando está sob efeito da canabis problematizou as suas vivencias. Se a argumentação geral for essa (diga-se de passagem uma argumentacao banal, intransigente e sem reflexao) de que os que fumam sao os problematicos ou justificar e responsabilizar o uso da maconha devido falhas no carater, condutas duvidosas e consequencias desastrosas, abre pressuposto para analizar tantas outras desgraças e desgraçados que são complexos reflexos de situações que vivemos ao longo da vida que ainda devem ser muito debatidas. A discussao e os argumentos serão sem fim porém terão conteudo limitadíssimo e provavelmente serão formas diferentes de dizer uma única coisa: “a maconha traz problemas e deve ser combatida, banida, extinta, deletada e esquecida”. Fica aqui o resumo desse paragrafo – ele é para voce leitor, indivíduo criminalizador, onde nao se nega que a maconha traz problemas sim, porem querendo ou nao ela existe e deve ser debatida de modo mais profundo.
Hoje em dia os individuos tomam esse tipo de posionamento em relação a proibicao podem ter medo, desconhecimento, má orientação ou mesmo o fazem por estarem satisfeitos com as virtudes e desgraças do seu mundo tal como ele é, sendo contra qualquer tipo de mudança na sociedade. Nao me cabe aqui analisar as suas razoes. Mas o que nao pode acontecer é desconsiderar que os maconheiros existem. Uma situacao exemplificada? Caso seja realizado um simples referendo no Brasil nessa pauta, aos moldes do referendo do desarmamento, vai provavelmente resultar em 60% ou mais, quem sabe, de votos para a criminalizacao. Mas pera ai…. e os outros 40%? Dessa ultima parcela ha os que fumam e os que nao fumam, mas os que fumam continuarao a ser desrespeitados? Nao se dara importancia pro fato de que eles existem, de que gostam ou precisam fumar, e simplesmente joga-los em cadeias, processa-los, resolvera o problema de forma efetiva? Essa forma de “tampar o sol com a peneira” realmente é a melhor solucao?
A maré indica que as leis vão continuar assim, intransigentes e cegas. Aos usuários e defendores da descriminilizacao cabe o lamento e a luta. Nessa ano de eleições – e em todos anos de eleições – uma pequena chama de esperança de que o assunto será debatido se acende em nossos coracoes. E é aí que mora uma das minhas principais desilusões com a política brasileira. Os candidatos com real chance de serem eleitos adotam o discurso que lhe renderá mais votos. A Dilma e o Serra não são idiotas, não iriam comprometer a sua candidatura em defender uma posição tão delicada, mal debatida e esclarecida. E ao mesmo tempo sabem que estão sendo mentirosos, que defendem o interesse do alto empresariado brasileiro, ao invés de colocarem o Brasil rumo a um processo de esclarecimento, mas fazer o que né? Vale tudo pelos votos e pelo poder. Tocar em uma questao tao polemica, da forma que o pais expoe seu processo eleitoral e democratico, é que seria idiotice. E digo mais: existe uma real possibilidade de que, e um dos dois, algumas semanas antes da eleição, por estar atras nas pesquisas e sem chances de ganhar, tentarem dar o “pulo do gato” ou “chutar o balde” tocando na questao da descriminizacao da maconha de forma sincera e profunda, poder inverter o jogo!
A liberdade da maconha irá ser um divisor de águas em relação ao consumo de drogas. Porque hoje em dia proibe-se tudo, mas como nem tudo pode ser proibido, acaba aceitando-se sublinarmente um monte de situacoes suspeitas e uma imensidao de pessoas ficam, a preco de nada, obrigados a se submeter a atividades ilegais com o risco de serem presos e destruir suas vidas por algo que nao tem nada de mais. A legalizacao conseguira separar de forma mais nitida aqueles que realmente sao viciados em substancias ou atos destruidores ao ser humano, os seus traficantes e o efeitos de sua pratica.
A questao do consumo da maconha é de Saude Publica e Educacao. Primeiramente um assunto de Saude Publica, que deve ser abordado principalmente por medicos, por meio de evidencias do consumo já existente e a partir dai apontar os seus maleficios e os beneficio individualizados para cada paciente. É tão simples assim. Quando a legalizacao da maconha atingir parametros mais globais, iniciar-se-a um processo irreversivel de criacao dos remedios mais consumidos do planeta, derivado das substancias presentes na canabis, antidepressivo/estimulador do apetite/ansiolitico de baixa potencia mais barato, com maior custo/beneficio e mais efetivo que ja existiu. O consumo da maconha recreacional e medicinal seria abordado de forma sucinta na escola, educando o individuo sobre o que ela é, sua aplicabilidade e desmistificando o seu uso. Alem do que seriam realizadas campanhas educacionais de prevencao primaria e de reabilitacao. Qual outra forma mais efetiva de combate-la??
Infelizmente, devido a atual organização da nossa sociedade, me pego pensando que só haverá o pleno esclarecimento do assunto daqui sei lá…. 100 anos? Talvez meus netos poderão abordar essa questão da erva sem tantos paradigmas e de forma mais clara e mais verdadeira. Sonho com o dia em que a sociedade (principalmente as leis) vao se reorganizar e transferir a responsabilidade do uso da maconha da questao de segurança publica para a de saúde e educação. Espero que sim, e espero ter a oportunidade de um dia, com 90 anos, quando as leis forem mudadas, estar sentado com os meus filhos e netos ja criados, maiores de idade, provavelmente ja bem vividos e experientes, tendo levado tantos tapas na cara da vida conversando e fazendo reflexoes enquanto queimamos um puta de um baseado.
E a legalizacao permitiria o uso vultuoso, prejudicando o rendimento do trabalhador? Claro que nao! Porque eu nao sou louco de ir a um afazer aonde minhas habilidades estarão comprometidas se estiver sob efeito da canabis. Assim como hoje em dia não vou tabalhar bêbado, fedendo, sob efeito de remédios, mal vestido, com más intenções, com pilantragem. Eu vou é batalhar pelos meus miseros poucos salários mínimos para que no final do mês (ou melhor dia 10 de cada mês) tenha que gastar mais de 2/3 do meu salário com contas e o restante talvez comer 2 vezes em um bom restaurante, tomar uns 2 dias uma cerveja gelada, comprar aquela roupa ou aquele eletronico que tanto estava querendo, poder pagar o curso de natacao ou ingles do meu filho. Assim como, apos o expediente, ja em casa e com os pes no alto e um bom copo de agua gelada na mao e tv ligada folheando os canais procurando algo de interesse, preferencialmente as 4:20 pm, possa acender um belo e puro baseado ou consumir a maconha de outra forma que bem entender. Isso não é questão de liberdade de expressão e sim o reflexo da vida de um homem de bem lutador e cansado que tem algumas virtudes e alguns defeitos como qualquer um.
Agora imagine voce, empresario, contratando um maconheiro. Voce nao contrataria, certo? Que nada! Para usar um simples exemplo: se atuasse na area de propaganda/comunicacao/criacao eu iria querer que muitos dos que trabalhassem para mim fumassem maconha. As criacoes, certamente seriam melhores. Creio que voce contrataria um individuo que conta com uma visao mais ampla, mais criativa, mais plural, enriquecendo a producao.
Veja bem, eu não sou criminoso. Não sou ladrão, nao passo ninguém pra traz. Nunca roubei, nem matei e nem pretendo. Respeito as regras de (quase) todas as instituicoes que frequento. Na minha vida, todos que encontro procuro ajudar dando tudo de mim, de forma sincera, e fazendo tudo para que aquela pessoa que passou pela minha vida naquele momento por ela continue plenamente satisfeita e com qualidade de vida. Mas hoje, no Brasil, pais que nasci, que aprendi, que trabalhei, que vivi, que sorri e que chorei, tenho que me esconder porque se fosse pego fumando um cigarro de maconha ou mesmo portando uma quantidade razoável de cerca de 30 gramas que é aquilo que consumirei no proximo semestre, serei tratado como meliante. Se abordado pela polícia, tenho terror só de pensar. A vergonha perante a reprimida e consequente exposição como cidadão que infringe as leis seria caótica, devastadora.
Independente de tantos paragrafos, tantas discussoes e pesquisas que ainda estao por vir, o uso dos beneficios da maconha é um processo irreversivel e tem sido adotadas medidas para lentificar o seu progresso, porem nunca se conseguira frear a inevitavel legalizacao.
Parabéns à atual Diretoria da SBNeC pela nota de esclarecimento de 15 de julho. A Instituição, SBNeC, está acima de qualquer um de nós, e tem indubitavelmente a competência para coordenar um amplo debate sobre este tema de enorme impacto científico e social.
Também gostaria de parabenizar os autores da carta. Li o livro do doutor Sidarta no ano passado e achei interessantíssimo. Está claro que os nossos neurocientistas estão na vanguarda destas pesquisas e sabem muito bem do que estão falando.
A carta está muito bem escrita e objetiva. No entanto, a exposição do assunto em um jornal trará inevitavelmente reações positivas e negativas, muitas das quais agressivas e irracionais.
Infelizmente temos que conviver com os ataques passionais que o tema desperta. O importante é ter certeza que o resultado é sempre positivo: trazer o debate para termos científicos e racionais.
Por isso, mais uma vez me solidarizo com os cientistas e também com a SBNeC, que demonstra seriedade em sua nota de esclarecimento e na reprodução da carta original.
Muito boa também a sugestão do Eduardo: a carta realmente deveria ser aberta para receber novas assinaturas.
Opinião de não-médico sobre tema ligado a saúde é pretensão!
Gostaria de saber se os neurocientistas que assinaram a carta já leram os artigos que seguem.
Se os prezados neurocientista me mostrarem algum teste que diga com pelo menos 95% de certeza (100% não existe) quem pode usar maconha com segurança e que não vai ter afetada a saúde mental.
Eu penso em abraçar a causa.
OS ESTUDOS ABAIXO MOSTRAM QUE A RECREAÇÃO PODE NÃO SER TÃO BOA IDÉIA ASSIM…
Adolescent brain maturation, the endogenous cannabinoid system and the neurobiology of cannabis-induced schizophrenia.
Bossong MG, Niesink RJ.
Prog Neurobiol. 2010 Jul 9
Adolescent cannabis use and psychosis: epidemiology and neurodevelopmental models.
Malone DT, Hill MN, Rubino T.
Br J Pharmacol. 2010 Jun;160(3):511-22.
Psychosis reactivity to cannabis use in daily life: an experience sampling study.
Henquet C, van Os J, Kuepper R, Delespaul P, Smits M, Campo JA, Myin-Germeys I.
Br J Psychiatry. 2010 Jun;196(6):447-53.
Cannabis and psychiatric disorders.
Loga S, Loga-Zec S, Spremo M.
Psychiatr Danub. 2010 Jun;22(2):296-7.
(tem mais no pubmed, muito mais)
acho que a maconha está afetando a atenção e a memória dos nossos neurocientistas…
As neurociencias envolvem discussões sociais e antropológicas, dão os fatos e devem promover debates e intervenções. Cada pessoa sabe o porquê dos seus “pés-atrás” com temas polêmicos, pretenção é considerar uma ciencia mais importante que a outra!
Irresponsabilidade típica dos usuários de maconha foi demonstrada pelos militantes infiltrados na direção desta Associação. A maconha afeta gravemente a capacidade de julgamento, a comparação de valores, a percepção de razoabilidade. Isso, para alguns, é o “ponto de equilíbrio”, a “libertação”, a “abertura da mente”. Mas qualquer pessoa responsável não precisa recorrer a estes “benefícios” que impõe os malefícios visíveis (vale lembrar que um usuário de maconha é incapaz de avaliar os desvios de comportamento de sí ou de outro viciado).
Na carta ousaram abrir mão da ciência que só usam como desculpa para ganhar projeção. Ousaram condenar decisões que envolvem outras áreas do conhecimento. Tudo isso em nome da “sagrada planta”. Em nome do prazer próprio, do vício, da “recreação”, do individual: sobrepondo os interesses sociais e científicos.
Cabe uma advertência pública e firme a estes irresponsáveis, se não expulsão. A declaração oficial foi fraca, mantém parcialmente suja a imagem desta sociedade.
O problema da maconha não pode ser abordado por um ou dois aspectos sem seríssima avaliação do geral, sem um método integral, quem não fuma percebe isso.
Pelo Bem do Brasil!
O lobby antimaconha
(publicado na revista Caros Amigos)
O jornalista Ruy Castro costuma afirmar que o “lobby pró-maconha” está prestes a vencer, para malefício da sociedade brasileira. Infelizmente, o consagrado autor equivoca-se: é o poderosíssimo lobby antimaconha que ainda sustenta no país esse proibicionismo arcaico, tolo e ineficaz.
A demonização da droga surgiu nos EUA, para compensar o fracasso da Lei Seca e fortalecer o recém-criado FBI. Depois da Guerra Fria, os entorpecentes substituíram a ameaça comunista no discurso do intervencionismo estadunidense. O modelo repressivo disseminou em escala mundial as conseqüências nefastas da própria Lei Seca – crime organizado, corrupção, marginalidade, consumo galopante. Desmoralizado, foi substituído na Europa, no Canadá e até em regiões dos EUA.
Iniciado o processo de transferir a questão para os âmbitos da saúde pública e da redução de danos, a descriminalização da maconha representa uma evolução histórica inevitável. Os debates sérios superaram definitivamente a tolice do “trampolim” para outras drogas, o preconceito contra o uso recreativo e a ilusão de que o Estado pode gerir a privacidade e o corpo dos indivíduos.
A maconha é menos prejudicial e viciante que outras substâncias proibidas (cocaína, heroína) ou controladas (tabaco, álcool, remédios) e possui propriedades medicinais reconhecidas. Diversos estudiosos, como o Dr. Raphael Mechoulam, da Universidade Hebraica de Jerusalém, comprovaram a eficácia da Cannabis em tratamentos de câncer, AIDS, inflamações, doenças neurológicas e hepáticas, diabetes, osteoporose e alcoolismo.
Eis por que a bilionária indústria farmacêutica pressiona para manter a maconha na clandestinidade. O mesmo vale para autoridades médicas, policiais e religiosas, que completam o lobby dos beneficiários do proibicionismo e são seus maiores apologistas.
O lobby antimaconha – 2
(publicado na revista Caros Amigos)
A hipocrisia e a mistificação atravancam o debate sobre a descriminalização da maconha. Defensores de interesses econômicos, corporativos e políticos, tratados como especialistas, transformaram-se em porta-vozes inquestionáveis do modelo repressivo.
A indústria farmacêutica perderá fortunas quando as possibilidades terapêuticas da Cannabis forem exploradas. A maconha é facilmente cultivável, o que inviabilizaria sua apropriação comercial pelos laboratórios. A simples menção ao aspecto medicinal causaria tamanho estrago nos argumentos contrários à legalização, que o setor precisou esconder-se, apelando para a intermediação de congressistas e médicos.
Mas os profissionais da saúde também têm seus motivos. O proibicionismo garante a luxuosa sobrevivência de muitos psiquiatras e psicólogos, esses astros da terapia adolescente que freqüentam programas televisivos. Fazendo propaganda velada dos próprios serviços, eles declamam um alarmismo pseudotécnico, omitindo as especificidades das substâncias proibidas para que soem igualmente ameaçadoras. Semelhante deturpação fundamenta a postura de certos criminalistas, policiais e religiosos, ávidos por preservar a autoridade e os rendimentos (nem sempre confessáveis) oriundos da demonização da planta.
O cimento ideológico da estupidez repressiva vem do conservadorismo tacanho que infecta a grande imprensa nacional. Os fundamentalistas do atraso rejeitam a tendência mundial pela descriminalização, pois temem que seu notório sucesso comprometa a estrutura de dogmas tradicionais da direita. Associar o consumo da maconha ao crime organizado ajuda a manter coeso um repertório amplo de valores deturpados, que abrangem direitos humanos, aborto e outros temas. O rigor científico e a sensatez derrubariam esse castelo de bobagens, como cartas de um baralho gasto.
Pretensão porque não-médico não sabe de clínica, não acompanha caso clínico e nunca teve que tratar paciente psicótico, se tivesse pensaria duas vezes antes de falar de uso recreativo de maconha.
Gostaria de esclarecer aqui que o teor da carta, a qual sou signatário, não contem qualquer menção de apoio a mudanças na legislação vigente. Não recomenda o uso recreativo, não sugere a descriminação, nem legalização muito menos a liberação da maconha. Apenas apóia a aplicação da lei vigente que não estava sendo seguida no caso do Pedro Caetano. Convocamos também, na referida carta, a sociedade em geral para a esta discussão e lembramos do evento que será promovido na reunião anual da SBNeC.
Pessoalmente, sou a favor da legalização e regulamentação do uso da maconha em todas as suas formas nos moldes da legislação que regula a produção, venda e consumo do álcool e tabaco, drogas muito mais perigosas que a maconha (Nutt et al., 2007 Lancet 369: 1047–53). Não acredito que a repressão policial da produção, consumo e venda sejam eficientes para combater o abuso desta substancia e não estou sozinho nesta opinião. Ver por exemplo a declaração de Viena postada no comentário do Eduardo Schenberg (coloco o link aqui também http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2010/07/14/o-comeco-do-fim/ ). Declaração esta emitida por sociedades médicas e científicas. Outros artigos com grande mérito cientifico também apóiam esta opinião (Ver Degenhardt et al. (2008) Toward a global view of alcohol, tobacco, cannabis, and cocaine use: Findings from the WHO World Mental Health Surveys. PLoS Med 5(7): e141. doi:10.1371/journal.
Eu não contesto os possíveis perigos do uso recreativo da maconha, mas a proibição de seu uso por ADULTOS causa mais efeitos deletérios ao individuo e a sociedade que seu próprio consumo. A incoerência das políticas reguladoras do uso e consumo de substancias de abuso é uma falha marcante de nossa sociedade. Finalmente, a percepção exagerada dos efeitos negativos da maconha causaram e causam a não obediência a lei vigente (artigo 28 da lei 11343) do pais que despenaliza o consumo e plantio para uso proprio. Como foi o caso da prisão equivocada do Pedro Caetano. Gostaria de convocar todos, militantes e não militantes inclusive, para o debate a ser realizado na reunião da Sociedade em Setembro, para discutir este tema tão importante para a nossa sociedade. Por fim, sugerir a expulsão da Sociedade por expressão de opinião é um recurso que só uma mente desacostumada com o debate democratico pode sugerir.
Parabéns pela coragem e posicionamento perante um caso onde a Justiça “torta” do Brasil ainda permite prisões arbitrárias. A discussão sobre a descriminalização da maconha é muito mais profunda e precisa ser feita junto à sociedade. A falta de informação e direcionamento das mesmas para o lado sensacionalista, nos alerta que o esforço precisa ser coletivo e imediato, para o melhor entendimento de como regularizar o seu uso e cultivo.
Gostaria de sugerir ao senhor Souza, possivelmente profissional graduado como médico, que os neurocientistas (fisiologistas, farmacologistas, imunologistas e etc.) não adentram o mérito da graduação do profissional. Nós, neurocientistas, entendemos que após tantos anos de estudo (mestrado, doutorado, pós-docs …) não é admisível que alguém coloque seu título de graduação de forma a tripudiar sobre Doutores neurocientistas. Estive em universidades da Australia e EUA, e felizmente pesquisadores de ponta em países que exportam conhecimento jamais usaram seu graduação em M.D. como anteparo à discussão e opiniões de pessoas. Acredito que diminuir os neurocientistas não médicos é o mesmo que não enxergá-los como cientistas e pior, ignoar quem gera conhecimento. Isso então se traduz em ignorância e arrogância dignas de correção. Convido o Sr. Souza (MD? ou PhD?) a discutir como cientista, e principalmente a abrir sua mente. Muitas vezes em reportagens se diz sobre avanços da medicina, onde na verdade deveria se dizer avanços da ciência. A ciência permeia em todas profissões, especialmente as de prestadores de serviço em saúde, como médicos, farmacêuticos, fisioterapeutas e etc. Todas as profissões tem sua relevância e nenhuma deve ser diminuída em detrimento do estrelato de outras.
Especificamente sobre o tema, a carta de esclarecimento reitera a seriedade e competência dos neurocientistas brasileiros, independente de sua graduação.
O Sr. Souza precisa de mais informação. Ao invés de se apoiar em “artigos”, deveria continuar aberto à evolução natural de qualquer profissional (independente de sua área de atuação), aprendendo e ouvindo as experiências de outras pessoas.
Todas as opiniões acima são pessoais e com entendimento diferenciado para cada indivíduo, de acordo com sua experiência de vida, mas o simples fato de se abrir uma discussão sobre o assunto já é uma iniciativa válida.
Posso garantir que se o assunto não fosse relevante, não faria uso do meu tempo para apresentar argumentos para pessoas com visão tão limitada e restrita como o Sr. Souza.
Muito importante a nota de esclarecimento do Presidente da SBNEC, pois o artigo publicado em defesa do músico Pedro Caetano reflete apenas a opinião de seus autores. Não vi em nenhum momento apologia pelo uso da maconha no texto, mas me pareceu sim uma convocação para a reflexão e discussão de um tema bastante polêmico. Não concordo com tudo o que foi escrito, mas respeito a opinião dos autores. As neurociências podem contribuir, consideravelmente, para esclarecer os aspectos biológicos e comportamentais do uso das drogas de abuso. Contudo, o debate que envolve a regulamentação da produção, comercialização e utilização da maconha, ou mesmo de qualquer outra droga, deve ser feito em um fórum multidisciplinar. Os impactos do consumo de drogas recreacionais ou de abuso não envolvem apenas seus efeitos benéficos ou maléficos sobre o sistema nervoso central e a saúde de um indivíduo, mas trazem implicações socioeconômicas bastante profundas que não podem ser deixadas de lado. No meu ponto de vista, a SBNEC não tem como missão ser formadora de opinião sobre qualquer assunto que ultrapasse o âmbito do desenvolvimento das neurociências no Brasil. Só lamento as declarações preconceituosas daqueles que não sabem conviver em um ambiente democrático e emitem suas opiniões sem se identificar de forma clara.
Certo por linhas tortas…
Ainda que a declaração tenha sido publicada de maneira distorcida – como sendo a opnião “dos” neurocientistas – o debate é tão importante e urgente que valeu a pena…
Por que o cigarro que causa prejuizos a saúde publica e ao indivíduo é liberado? Que falso moralismo é esse? Morrer de cancer é socialmente aceito e consumir maconha não? Eu gostaria de ter o direito de escolher o que consumir.
Fatos da Guerra contras ás drogas e seus efeitos. Melhor ou pior do que os efeitos das próprias drogas ?
http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2010/07/
“Pretensioso” é o adjetivo que usaria para qualquer médico que acha que entende a saúde como um todo, independente da visão de outros profissionais da área. Esse unilateralismo, egocentrismo e acima de tudo,a visão de que “os diferentes estão errados” é o que nos leva à decadência moral que vivemos hoje em dia.
Para cada artigo dizendo que a “maconha faz mal” há outros tantos dizendo que “faz bem” (ô simplificação), e não é à toa que extratos da planta já estão devagarinho começando a ser inclusive comercializado por indústrias farmacêuticas ao redor do mundo.
Mais uma vez, nós, que temos um potencial imenso para produzir medicamentos à base desta planta iremos passar à margem do processo e possivelmente compraremos o produto industrializado estrangeiro.
Tudo por conta da falta de flexibilidade e arrogância de sobretudo, a classe médica, como muito bem representada a exemplificada pelo representante do CFM que esteve no último Simpósio sobre Cannabis Medicinal, este ano na UNIFESP.
Se pararmos de teimosia, fica evidente que todas as preocupações a respeito do uso da Cannabis (maconha, chamem como quiser) e sua liberação não são usados para substâncias com efeitos bastante parecidos… é preconceito gente, é puro preconceito, prestem atenção.
Ao final, gostaria de lembrar que a discussão não deve ser contra ou a favor da Cannabis, a bandeira deve ser contra ou a favor da nossa sociedade. E nada me convence de que prender seus cidadãos pelo uso de uma planta que lhe altere a consciência faça bem pra sociedade nenhuma.
Aumento das portas da percepção… precisamos saber respeitar e compreender que há quem se interesse pelo tema.
Muito ao contrário da propaganda feita pelos americanos, obviamente o indivíduo que fuma maconha não vai ter acesso de violência ou loucura descontrolada e sair por aí fazendo m*rda. Vai é ver o mundo com outros olhos de quem compreende mais a si mesmo e aos outros, um mergulho na sua consciencia. A intolerância e a raiva de parte dos usuários vem sim da indignação por perceberem o quanto a opinião pública é manipulada por um monte de mentiras…
Por que nossa sociedade teme tanto a Psicoatividade?
É hora de encarar o fato de que podemos usá-la a nosso favor. Nas culturas tradicionais, os guias, xamãs eram respeitadíssimos e as comunidades vivam em harmonia. Hoje, os guias espirituais cobram 10% e a psicoatividade só é considerada válida se comprada em caixinhas.
* são 5 mil anos de uso e 50 deproibição*
Na minha opinião, que não quer arrogar-se douta em ciência para forçar consentimento de um público leigo, é estranho ouvir pessoas tão dedicadas à terapia, à pesquisa para a “cura dos males”, fazendo um esforço reiterado para a legalização do consumo de “meros” cigarros de maconha (preferem falar em tetrahidrocanabinol e há motivos para tal escolha). Além dos apelos fundados nos ditos efeitos terapêuticos, seja lá o que isto ande significando no mercado farmacológico, os apologistas e cientistas pró-maconha querem também instituir uma moral que a legitimize, utilizando o conceito de hipocrisia, falando que outros países permitem o consumo recreativo, propondo que a ciência tem evidências disso e daquilo.
Acho que conseguirão o que querem: usar as cigarrilhas de maconha sem constrangimentos legais. E o interesse não passa disso!
O certo é que os movimentos pró e contra empreendem seus moralismos suas propagandas tão sensacionalistas quanto as da imprensa… Neste jogo não há falso moralismo, mas sim diferentes estilos de propaganda. Não creio que o movimento pró-maconha seja uma vanguarda, baseada em evidências sofisticadas (como se pretende pelo uso de termos técnicos), progressista e liberalista. De modo análogo as pessoas que dizem não à maconha ou desejam a repressão e punição de seu uso em todas as esferas possíveis não são lá bondosos humanistas.
Eis um “front” em que o preconceito é mútuo, mas todos querem pintar-se bonzinhos, doutos, sofisticados, probos, dignos, imparciais, etc… E toda esse barulho pelas cigarrilhas, hein?!
Quanta motivação!
Parabenizo aos redatores da carta pela coragem e coerência.
Somos pensadores formados por longos anos de estudos (muitas vezes com bolsas custeada pelo governo) para aprender a levantar dados de qualidade, ter conhecimento teórico para discutir esses dados e trazer clareza às pessoas. Acredito que esse é o papel que os acadêmicos deveriam assumir na sociedade: usar o conhecimento científico e racional para desmistificar tabus.
Independente de ser usuário de produtos psicoativos, simpatizante de uma política de maior liberdade social ou conservadores que acredita que as regras sociais vigentes são coerentes e devem ser mantidas, é fundamental que nos livremos dos preconceitos (isso é sinal de ignorância) e das vaidades sustentadas por títulos (infelizmente muito comum entre médicos) para fazer uma discussão que contribua para que as leis sejam revistas ou mantidas. Acho que essa é uma discussão extremamente pertinente aos neurocientistas.
Quanto à briga entre liberais e conservadores eu particularmente concordo com Nietzsche pela “transvaloração de todos os valores”.
No meu entendimento esta discussão é da maior importância para a sociedade brasileira e os signatários da carta e todos aqueles que comentaram neste fórum estão de parabéns. Que venha a sessão específica para esta finalidade na reunião anual da sociedade em setembro próximo, e que tenhamos paciência e respeito pelas diferentes opiniões e formações dos membros desta sociedade democrática: Discussão é a sobreposição de uma idéia sobre a outra, debate é a troca de diferentes experiências entre os indivíduos envolvidos.
Infelizmente, o debate aqui, como é usual neste tema, a meu ver já se desviou daquilo que a ciência pode proporcionar e está se tornando uma discussão áspera e pouco produtiva. A questão não é se a neurociência pode provar que a maconha faz “bem” ou “mal”, se é “benéfica” ou “maléfica” à saúde, tanto do indivíduo que a usa quanto à saúde pública da sociedade da qual estes vários usuários fazem parte, pois ela não pode concretizar tal façanha. De acordo com o filósofo Karl Popper, a ciência nunca, jamais, demonstra verdades absolutas:
“O jogo da ciência é, em princípio, interminável. Quem decida, um dia, que os enunciados científicos não mais exigem prova e podem ser vistos como definitivamente verificados, retira-se do jogo.” (A Lógica da Pesquisa Científica).
Se assim o é, considero infrutífero tentarmos direcionar o debate com citações de artigos que demonstrem utilidades médicas da cannabis ou suas associações com estados patológicos e distúrbios psiquiátricos (menos ainda com opiniões pessoais). Todos sabemos, ou deveríamos saber, da existência de tais evidências controversas sobre a cannabis e seus efeitos. A única leitura cabível pela lógica científica é de que a planta pode de fato exercer diversos efeitos, por vezes antagônicos, em diferentes indivíduos e contextos de uso. Qualquer interpretação que negue um dos lados deixa de ser científica e passa a conter dose considerável de pré-conceitos…
Então como prosseguir? Acho que a seguinte metáfora do psiquiatra checo Stanislav Grof é muito pertinente e norteadora neste momento:
“[...] sobre o potencial positivo ou negativo de uma faca, naturalmente iremos receber relatos muito distintos de um cirurgião que baseia seu julgamento em operações bem sucedidas e do chefe de polícia que investiga assassinatos cometidos com facas em becos de NY. Uma dona de casa veria a faca primeiramente como um útil utensílio de cozinha e um artista a usaria em esculpir madeira. Faria pouco sentido julgar a utilidade e os perigos da faca observando crianças brincando com ela sem a necessária habilidade e maturidade.”
Assim sendo, a questão central que temos de debater não são os efeitos da ferramenta “maconha” e seus possíveis usos, mas a legislação vigente no país e quais seus benefícios e malefícios para o usuário E para a sociedade. O primeiro fato importantíssimo a trazermos à tona e consolidarmos em nossas mentes de uma vez por todas, de maneira bem clara, é que a proibição de qualquer psicoativo jamais resultou em diminuição de seu consumo, em qualquer parte do planeta e momento da história humana. Assim sendo, mesmo aqueles que consideram a planta um problema para a saúde individual e/ou pública, e que gostariam de ver redução no consumo, devem refletir profundamente sobre o porque apoiam tal política proibicionista, que vem claramente fracassando em seus proclamados objetivos de redução de consumo. O segundo fato pertinente e bem documentado é que a proibição gera inúmeros danos não relacionados aos efeitos farmacológicos, neurológicos, biológicos, psicológicos, psiquiátricos etc. Dentre estes inúmeros danos estão as balas perdidas, exemplo dramático do aumento da violência associada à produção, comercialização e consumo somente das substâncias que são tornadas ilícitas, não existindo para o álcool e o tabaco, por exemplo. Da mesma maneira, a prisão de um número excessivo de cidadãos está criando escolas de violência e crime em cadeias superlotadas, com condições que violam a Declaração Universal dos Direitos do Homem e ameação a integridade do Estado de Direito Democrático. Se quisermos argumentar que os usuários de maconha devem ser tratados para que parem com esse comportamento potencialmente danoso a sua saúde física, mental e espiritual, dificilmente podemos concluir que encarcerá-lo em tais instituições seja de alguma valia para a melhora de seu quadro de saúde. Quanto ao fato de proteger à sociedade destes indivíduos ao encarcerá-los nestas instituições, temos de lembrar que o consumo de substâncias psicoativas não fere de maneira direta o direito de terceiros e portanto não pode ser julgado como crime, pois não há vítimas (para mais sobre os aspectos legais, ver a brilhante série de livros “Escritos sobre a liberdade”, da jurista Maria Lúcia Karam).
O terceiro e último fato que eu gostaria de relembrar é que a proibição, além de criar danos paralelos aos efeitos das drogas per se, não traz um único benefício sequer, uma vez que fracassa violentamente em seu objetivo principal de redução de consumo.
Concluo portanto que devemos buscar discernir neste debate quais são os efeitos neurobiológicos desta planta de uso milenar e os efeitos sociológicos da legislação vigente nas últimas quatro décadas, que permitiu a prisão de Pedro Caetano, entre tantos outros cidadãos, pelo simples fato de fazerem algo tão próximo daquilo que fazem milhões de brasileiros diariamente nos bares de nossas cidades: mudarem um pouco sua percepção do mundo e o estado interno de suas mentes e corpos através do uso do psicoativo de sua livre-escolha.
Acho bem interessante essa discussão. Pessoalmente desafiadora por me fazer confrontar preconceitos e antigos pontos de vista sobre o assunto. Ainda estou engatinhando nessa discussão e não me posiciono a favor ou contra a legalização, mas a favor do debate. Agradeço à SBNeC pela nota de esclarecimento; tinha me causado estranheza ver publicada uma opinião em nome dos sócios (como divulgado pela imprensa) nos jornais, sem consulta nem debate, nem mesmo um post no site da Sociedade.
À parte efeitos, contextos e motivações para o uso, que são outras frentes (não menos interessantes) dentro deste assunto me interessam os aspectos práticos. Supondo a legalização, como seria? Seguiria os moldes do álcool e tabaco, com restrição de público consumido (legal) e de locais de consumo (supondo a queima da erva e não inalação ou nebulização)? E quais as sugestões sobre quem comercializaria? Penso nisso porque no final das contas, não adianta aprovar uma coisa se não se tem uma planjamento de como fazer acontecer.
Me deixa curioso ainda uma questão anterior a isso tudo. Sou a favor de que as pessoas tenham liberdade de escolha, em todos os níveis. Neste sentido, não vejo porque não disponibilizar legalmente algumas substâncias psicoativas. Mas me pergunto se a população em geral saberia lidar com essa liberdade, porque ela depende de uma educação que possibilite aos indivíduos compreender e julgar devidamente, no curto, médio e longo prazo, as consequencias de suas escolhas, para si mesmo e para os que estão em volta. Será que temos essa educação? Não seria talvez mais urgente e importante lidar com isso antes de qualquer decisão?
Enfim, são só indagações. Como disse, estou ainda engatinhando na discussão. Mas gostaria de saber opiniões.
Abraços.
Fiquei preso por 78 dias na Cadeia Publica de Airiuoca MG por ter plantado em minha casa 53 pés de Maconha, Sou HIV + a 20 anos e com certeza tenho usado a Canabis como auxiliar no tratamento e considero urgente a descriminalização da maconha para seus diversos usos. É insensato o LAFEPE produzir o DRONABINOL e ter a permisão para comercializar para EUA e Europa porem nos brasileiros somos presos e acusados de trafico.
Nunca vendi um baseado se quer do meu plantio.
Estarei encaminhando carta aos minsistros e presidencia nesta segunda pedindo novamente o direito ao uso e ao plantio.
Esta mais do que na hora da sociedade lucida brasileira, contribuir efetivamente pela verdade dos efeitos da Canabis e seus diversos usos, terapêuticos, texteis e alimentar.
alguém aí se lembrou do número de crianças que entram todos os anos no tráfico de drogas por causa da maconha e de outras drogas?? Ninguém percebeu que quem compra essa droga está financiando a violência???
Lógico, não se olha isso quando se quer fumar um baseado para se sentir bem…
Pensem nisso…
Você se lembrou que este problema não é causado pela planta, mas pela lei?? Já pensou que quem financia a violência não é o consumidor, mas a proibição, que requer grande parte do nosso imposto? Já se perguntou por que não há crianças trabalhando na AMBEV ou na Philip Morris? Por que não ocorrem tiroteios na entrega de cervejas e vinhos ao seu supermercado favorito? (quando proibiram o álcool nos EUA, aí sim ocorriam!!)
O mercado de drogas tornadas ilícitas se perpetua pela violência porque não pode ser regulamentado, como atualmente são o de bebidas alcoólicas e tabaco, e só pode ser reprimido pela força policial. Já se perguntou quantas pessoas foram mortas em tiroteios, mesmo sem usarem drogas ou terem qualquer coisa a ver com o tráfico nem com a polícia? Ja falou com alguém que levou bala-perdida?
Pense nisso: http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2010/08/04/sabia-usted-edicion-guerra-contra-el-narcotrafico/
nisso: http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2010/07/17/a-guerra-contra-as-drogas-nos-eua-fatos-e-dados/
e em muito mais…
mais uma coisa para pensar, que esqueci de mencionar: Pedro Caetano foi preso por plantar em sua casa, e não por comprar ou participar de qualquer atividade relacionada a tiroteios e tráfico…
O problema é a ilusão de que a liberação trará soluções, como pacientes saudáveis, criminalidade reduzida, impostos devidamente recebidos e tudo resolvido, como uma varinha de condão. Infelizmente, as coisas não acontecem assim. Basta nos espelharmos em países que já adotaram essa política. Que observamos? E no sentido clínico, a variabilidade genética da população não deve ser dissociada da dependência promovida… Sem a opinião pessoal a favor ou contra, somos a favor sim da cautela com que devemos tratar um assunto sério como esse, devemos ter a atenção voltada a todos os ângulos, uma vez abertos a discussão. Proibir ou legalizar é apenas uma pequena parte de um grande problema.
Um estudo publicado no jornal científico Current Alzheimer Research desmente pesquisas anteriores que afirmavam que o uso de maconha poderia trazer “benefícios” no tratamento do Mal de Alzheimer. Segundo estes antigos estudos, a substância química HU210, uma fórmula sintética dos componentes encontrados na maconha, conseguiria estimular o crescimento de novos neurônios em ratos que carregavam uma toxina responsável pela formação de placas no cérebro, assim como na doença de Alzheimer. O efeito foi contrário: os animais que tomaram a droga acabaram com danos irreversíveis nas células cerebrais, confirmando a maioria dos estudos que afirmam que o uso da maconha afeta a inteligência e gera doenças.
Revista científica: The Lancet – Stanley Zammit:
→ Maconha pode aumentar o risco de psicose, diz estudo. Usuários de maconha e derivados tem um risco 40% maior de sofrer algum tipo de psicose – como esquizofrenia – do que não usuários, diz especialistas britânicos. No artigo, especialistas também afirmam que até 800 casos de esquizofrenia registrados anualmente na Grã-Bretanha, podem ser ligados ao uso da maconha. Os pesquisadores analisaram 35 estudos sobre a relação da droga com saúde mental.
Os efeitos maléficos da maconha atingem com certeza o comportamento e a personalidade dos usuários, além da síndrome amotivacional. Uma pessoa que use maconha tem como objetivo alcançar um estado diferente de percepção sentir-se como num sonho ou para relaxar-se. A constituição desses grupos reforça a certeza de que consumir maconha é a coisa certa, que a maconha é uma das coisas mais importantes da vida dele. Hipocrisia é basear-se em artigos para defender o seu próprio consumo. Quando alguém mostra um artigo citando a maconha como “alvo-terapêutico”, os usuários dizem: “Viu só, estudos mostram o uso da maconha para o tratamento do câncer, da epilepsia, …”, mas quando alguém mostra artigos desmentindo seus benefícios, eles dizem: “AH…mas o álcool também destroí os neurônios” e aquele artigo nem é tocado. A via é única!!!! São tão céticos que não observam isso!!!
Como disse um colega lá em cima, prove para mim que a maconha é “tão maravilhosa” assim, que também passarei a defendê-la.
Insistirei em tópicos que já escrevi nesta discussao, mas a ficha custa a cair para muitos:
1 – Nao podemos comprovar cientificamente que a maconha é “boa” ou “ruim”. Para cada artigo de um lado, há outro do outro lado (isso sem entrar no mérito de quao simplista e ingenuo é esse tipo de argumento).
2 – quem defende a legalizacao nao o faz pq a planta eh “tao maravilhosa”, mas pq a proibicao dela é uma politica comprovadamente fracassada, em todos os seus objetivos (bem como a proibicao de QUALQUER psicoativo, em toda a história). Além do fracasso em seus objetivos, a proibicao cria uma série de problemas que nada tem a ver com a planta em si. Quem troca tiros nao é quem fumou, mas sim quem quer vender e quem quer prender. E quem quer pesquisar tem inúmeras dificuldades por causa da proibiçao! E quem precisa dela como remedio, na maior parte do mundo nao tem por causa da proibiçao!
Alcool e tabaco tb nao sao “tao maravilhosos”, e ainda assim (quase) ninguém argumenta que devemos proibi-los.
Despertemos, a proibiçao nada traz de beneficios. É hora de termos a coragem de pensarmos algo diferente para nossa sociedade. De nos sensibilizarmos pelos milhoes de vitimas dessa guerra civil que causa mais mortes que as guerras declaradas, como no iraque etc: http://plantandoconsciencia.wordpress.com/2010/08/04/sabia-usted-edicion-guerra-contra-el-narcotrafico/
Convido a todos a assistirem o filme waiting to inhale (http://www.youtube.com/watch?v=4xPKbog6VPc), sobre pacientes que necessitam fumar maconha para se tratar, e seus rumos na justiça americana para ter acesso a este direito fundamental: garantir a propria saude. Estamos agendando uma sessao legendada durante a reuniao anual SBNeC em Caxambu, em setembro, para fomentar este importante debate.
saudacoes
Acho que há dois aspectos importantes e que devem ser considerados neste debate (isto se refere mais ao teor das opiniões neste blog que à emitida pelos signatários da carta).
Não existe nada na metodologia científica que permita definir o que é ético ou não. Quem decide isso são os indivíduos e as sociedades. Quando cientistas entram a discutir questões éticas o fazem como cidadãos, cidadãos esclarecidos mas com os mesmas prerrogativas que os demais cidadãos não cientistas. Já quando a declaração é feita por uma entidade como a SBNeC, a coisa muda de figura. Por isso acho a nota de esclarecimento oportuna.
O segundo aspecto é a curiosa dicotomia do cientista quando escreve um trabalho científico e quando escreve para o público em geral. Neste segundo caso, entra uma carga ideológica que ele cuidadosamente evita no primeiro. Um artigo muito interessante sobre esta dubiedade pode ser lida no The Guardian http://www.guardian.co.uk/commentisfree/belief/2010/aug/24/popular-science-ideology-evolution.
Vale muito a pena.
Pra mim ética é uma questão de estudos empíricos sobre o comportamento e as interações humanas em diferentes culturas… Portanto existe sim metodologia pragmática que suporte estudos sistemáticos neste campo. Mas parece que as pessoas preferem que isso seja algo mágico, filosófico, por que assim têm como ficar especulando sobre o assunto apenas conceitualmente. Como sabemos a linguagem é também uma poderosa ferramenta neuropsicológica de sobrevivência, ela modula a cognição e afetividade, conforme sugerem pesquisas críticas com surdocegos, autistas, feral-children…
Daí podemos tirar conclusões.
Existem estudos, publicados em revistas de vulto, comprovando que os fumantes de cigarro comum (de tabaco) possuem uma propensão menor ao desenvolvimento do Mal de Parkinson.
Seria o caso de fazer campanha para que as pessoas fumassem cigarros de tabaco? Fica aqui a pergunta.
Não sei ao que você se referiu como “revistas de vulto”, mas de fato o tabaco (a planta, nao o cigarro industrializado aditivado com coisas como pólvora, pra não apagar…) é utilizado por curandeiros de várias tradições, com finalidades distintas. Tendo em vista a farmacologia colinérgica e nicotínica, eu diria que tem que se estudar a questão seriamente sim!
Caro, quando me refiro a ‘revistas de vulto’ quero dizer Annals of Neurology, Lancet, Journal of Neuroscience e outras.
Uma coisa que precisa ficar clara e que talvez as pessoas não tenham se dado conta é que o estudo de substâncias oriundas de ervas (usadas desde os primórdios em pajelanças), cogumelos (o Santo Daime é um bom exemplo) e outras que tenham ação entorpecente é importante. Mas quando tem base biológica/biomédica e não ‘recreativa’.
Uma coisa é você querer estudos com essas substâncias para entender como funcionam e contribuir com o avanço médico e outra é lutar por liberação para um cara poder dar um tapa para curtir uma sensação quando quiser, de preferência plantando no quintal de casa…
Meus queridos amigos da SBNec
Sou completamente favorável a legalização da maconha e de todas as drogas, mas de uma forma estudada, calculada e com embasamento ciêntífico. Me admirei em saber que não se libera para pesquisa tais substâncias ilegais, que burrice, parece que estamos na idade medieval. Sou psicólogo trabalho com depedência química, mas fiquei barbarizado com aquela verdadeira apologia a MACONHA daqueles senhores CIÊNTISTAS, inclusive ouvi uma primazia da ciência Brasileira que no dia que morrer me lembrarei, tinha um psiquiatra formando a mesa que disse que é apenas 15% população que se torna dependente de maconha e não sendo família dele tudo bem. Aí neste momento para mim acabou a festa, eu quase partia para agressão física contra aqueles MACONHEIROS DISFARADOS DE CIÊNTISTAS, me retirei e fui rezar, mas fiquei deveras indignado. Que FHC sejá a favor muito bem, eu também sou, mas sei que ele pensa em como será feito isso, que ele tem responsabilidade e sabe muito das consequências de um processo destes mau conduzido. Colocar no datashow FHC e Planet Hamp, foi o cúmulo da bagunça e apologia daqueles maconheiros, se eu fosse um militar eu teria acabado com aquela merda na porrada na bala e na algema que era o prêmio que esses desordeiros mereciam, Mas tenho convicção mais que absoluta que não é o pensamento da SBNec, foi um erro, um infortúnio, que qualquer entidade que resolver debater um problema de tamanha complexidade social e histórica corre o risco de passar. Me congratulo com a organização do evento, foi realmente maravilhosso, retirando este verdadeiro desastre, mas assim é a vida, nem sempre tudo dá sempre certo. Mais uma vez parabéns pela a organização e pela coragem da tentativa de se levar um tema tão polêmico e que poderia ter sido um marco na história deste debate a nível nacional se tivessem acertado em ciêntistas mais responsáveis e comprometidos com a saúde da população mundial.
Um abraço a todos e meus parabéns pelo evento
e caso alguem não goste da minha posição pode me mandar um email que mando meu endereço aqui em Maceió, Alagoas para termos uma prosinha mais convicente.