Eu apoio a ciência Brasileira

Pesquisadores brasileiros lançam manifesto em que afirmam que “Ao privar a Ciência Brasileira de uma parceria justa e prometida, o INCeMaq, na figura do seu coordenador Prof. Miguel Nicolelis, não agiu pelo interesse coletivo, como seria de se esperar de um coordenador de Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, mas exclusivamente em proveito próprio.”

 

Veja o Manifesto Completo abaixo:

Eu apoio a ciência Brasileira

 

A iniciativa de criação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) visa impulsionar a ciência nacional a partir da articulação de redes formadas pelos principais grupos de pesquisa do País. Ligada a esse programa foi aprovada em 2009 a proposta do INCT “Interfaces Cérebro-Máquina” (INCeMaq), que tinha como coordenador o Prof. Miguel Ângelo Laporta Nicolelis, e nós abaixo assinados como pesquisadores principais e membros do Comitê Gestor. O Comitê Gestor do INCeMaq se reuniu apenas duas vezes. A pauta do primeiro encontro, realizado nos dias 1 e 2 de julho de 2010, se restringiu à apresentação de projetos em andamento pelos laboratórios vinculados ao INCeMaq. Todos os que assinam este manifesto estavam presentes àquela reunião. Durante as apresentações individuais, representando o Núcleo de Neurociências da UFMG, o Prof. Dr. Márcio Flávio Dutra Moraes apresentou resultados preliminares de um novo experimento realizado pelo seu grupo, incluindo imagens de um rato implantado com um receptor de infra-vermelho (I-V) acoplado a um estimulador cerebral. O sensor captava ondas de I-V emitidos por LEDs, de forma que a intensidade do sinal detectado era proporcional ao alinhamento da cabeça do animal com o emissor. Esses sinais eram enviados a um computador para controlar um estimulador elétrico, que por sua vez estava conectado a um eletrodo bipolar implantado no cérebro do animal. A proposta, em andamento, é o tema central de uma tese de doutorado e foi submetida a congressos locais, exames de qualificação, e defesa de trabalhos finais de graduação (ver imagens e documentos anexados a http://www.nnc.ufmg.br/hp/NNC_DOCS/). Em 26 de julho de 2012, os integrantes do Comitê Gestor do INCeMaq foram comunicados por correio eletrônico pelo próprio coordenador que estavam sendo desligados deste INCT.

Passados quase três anos desde a primeira reunião do Comitê Gestor, nos deparamos há poucos dias com o artigo publicado na revista científica Nature Communications e assinado pelo Prof. Nicolelis. No artigo é apresentado um implante craniano com um detector de infravermelho (I-V) acoplado a um sistema de estimulação elétrica intra-cerebral.
Este documento não tem a intenção de discutir autoria de ideias, um assunto delicado dentro da temática de produção científica, mas pode ser resumido às seguintes perguntas: existiu

neste episódio, por parte da coordenação do INCeMaq, a real intenção de promover a ciência nacional? Se o trabalho já estava sendo feito na Duke University durante a apresentação no INCeMaq, por que manter segredo durante a reunião? Se, por outro lado, o trabalho ainda não havia sido iniciado, mas Miguel Nicolelis considerou a ideia interessante, por que não firmou colaboração com o grupo da UFMG?
Havia a crença, endossada pelo Governo Federal, de que Miguel Nicolelis seria um parceiro de boas ideias oriundas da ciência nacional, pronto para alavancar, via INCT, uma produção de alta qualidade e vanguarda científica produzida no Brasil. Paradoxalmente, o artigo citado acima inclui afiliação do primeiro autor, Eric E. Thomson, ao Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lilly Safra (IINN-ELS), sendo ele pós-doutorando sediado na Duke University sem atuação no Brasil. Utilizar a produção de um laboratório no exterior como justificativa para prestação de contas de um financiamento nacional tem grande potencial de comprometer o trabalho sério e sólido das agências de fomento brasileiras nas últimas décadas. A produção deve ser resultante do investimento em infraestrutura para geração de conhecimento, formação de recursos humanos e nucleação de grupos de pesquisa EM TERRITÓRIO NACIONAL. Ao privar a Ciência Brasileira de uma parceria justa e prometida, o INCeMaq, na figura do seu coordenador Prof. Miguel Nicolelis, não agiu pelo interesse coletivo, como seria de se esperar de um coordenador de Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, mas exclusivamente em proveito próprio.

 

Em ordem alfabética, assinam este documento de 22/02/2013 os professores Antônio Carlos Roque da Silva Filho (USP-RP), Cláudia Domingues Vargas (UFRJ), Dráulio Barros de Araújo (UFRN), Márcio Flávio Dutra Moraes (UFMG), Mauro Copelli Lopes da Silva (UFPE), Reynaldo Daniel Pinto (USP-SC) e Sidarta Ribeiro (UFRN).

 


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9 Comentários

  1. Romulo Fuentes
    Enviado em 25 de fevereiro de 2013 às 2:27 | Permalink

    Nós também apoiamos a Ciência Brasileira!

    O manifesto intitulado “Eu apoio a ciência Brasileira” assinado por Antônio Carlos Roque da Silva Filho (USP-RP), Cláudia Domingues Vargas (UFRJ), Dráulio Barros de Araújo (UFRN), Márcio Flávio Dutra Moraes (UFMG), Mauro Copelli Lopes da Silva (UFPE), Reynaldo Daniel Pinto (USP-SC) e Sidarta Ribeiro (UFRN), publicado na conta de John Araujo no Blog da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento, faz uma série de acusações veladas contra Miguel Nicolelis e sua equipe. O grupo, constituído por estas 7 pessoas, não só se auto intitula defensor da ciência brasileira, mas também pretende representar os interesses coletivos da comunidade científica nacional, quando na realidade todas as suas queixas, aparentemente, se originaram com a justa remoção desse grupo, mediante autorização expressa do CNPQ, de um projeto especifico (projeto INCEMAQ) coordenado pelo professor Miguel Nicolelis.
    Apesar do manifesto afirmar, hipocritamente, que “não tem a intenção de discutir autoria de ideias”, o texto insinua que a ideia original do artigo publicado em 12/02/2013 por Miguel Nicolelis e associados (Thomson et al, “Perceiving invisible light through a somatosensory cortical prosthesis”. Nat Commun. 2013 Feb 12;4:1482. doi: 10.1038/ncomms2497) teria sido originariamente desenvolvida por um dos signatários, professor Márcio Flávio Dutra Moraes, que participou em 01-02 Julho de 2010 da primeira reunião do Comitê Gestor de Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia “Interfaces Cérebro-Máquina”, e apresentou sua proposta de pesquisa frente aos membros do Comitê Gestor, entre os quais o coordenador do projeto Miguel Nicolelis.
    Tal insinuação não tem qualquer mérito e só pode ser considerada como mais uma acusação absurda gestada por alguém totalmente obcecado com a ideia de assassinar a reputação do prof. Nicolelis e destruir o projeto bem sucedido do IINNELS. Assim, vimos publicamente desmentir categoricamente essa insinuação que só pode ser classificada como oportunista, leviana, e irresponsável. Na realidade, essa acusação risível pode ser facilmente rejeitada baseada em uma série de documentos (e-mails, diagramas de desenvolvimento da arena para estudos, compras de materiais, etc) que provam que o desenvolvimento deste trabalho do grupo de Nicolelis vem sendo feito desde o ano de 2006. Para fins de comprovação encontram-se anexos a esse texto os seguintes documentos (http://tinyurl.com/a27rsvz):
    – Email datado de 17 de Novembro de 2006 onde a equipe de Nicolelis na Universidade Duke concluiu que um “novo sentido” pode ser incorporado colocando um sensor infravermelho na cabeça de um rato.
    – Diagrama de fiação para hardware experimental criado em 19 Novembro 2009, produzido por técnicos do laboratório do professor Nicolelis, mostrando a opção pelo uso de sinais infravermelhos.
    – Email mostrando que depois de concluída a instalação experimental os experimentos começaram em Janeiro de 2010, como relatado pelo primeiro autor do trabalho, Dr. Eric Thomson (veja post abaixo).
    Além disso, o fato de que em seu livro Beyond Boundaries (no Brasil traduzido como Muito Além do Nosso Eu) Nicolelis descreve em detalhes o paradigma que seu grupo usou para a realização dos seus experimentos, comprova que esse projeto já era discutido no seu laboratório muito antes da reunião do Comitê Gestor do INCEMAQ em julho de 2010. O capítulo contendo essa descrição (capitulo 10), que contém inclusive uma figura para ilustrar o conceito da criação de um novo canal sensorial (Figura 10.4), foi concluído no dia 4 de novembro de 2009 e enviado para a editora americana encarregada da revisão do livro. A revisão final do mesmo, que não alterou em nada a descrição desse paradigma, foi finalizada na primeira semana de maio de 2010, portanto 2 meses antes da reunião do conselho gestor do INCEMAQ onde o prof. Márcio Moraes teria apresentado a sua idéia. Tanto a assistente pessoal do Dr. Nicolelis, como a sua editora americana e o seu o agente literário podem confirmar independentemente essas datas.
    Em suma, existe ampla evidência documental para refutar categoricamente qualquer insinuação rasteira de que o grupo do prof. Nicolelis tenha sido influenciado por qualquer idéia ou informação ventilada na reunião de julho de 2010. Na realidade, o laboratório de Miguel Nicolelis já estava discutindo o projeto de um rato com sensores infravermelhos acoplados a um estimulador cerebral, 4 anos antes da apresentação do professor Márcio Flávio Dutra Moraes em 2010. Vale ressaltar, que no período que vai de 2006 a 2013, o grupo do professor Nicolelis publicou vários trabalhos onde a técnica de micro-estimulação elétrica cortical foi usada (Fitzsimmons at al. “Primate reaching cued by multichannel spatiotemporal cortical microstimulation”. J Neurosci. 2007 May 23;27(21):5593-602; O’Doherty JE et al. “Active tactile exploration using a brain-machine-brain interface”. Front Integr Neurosci. 2009;3:20; O’Doherty JE et al. “A brain-machine interface instructed by direct intracortical microstimulation”. Nature. 2011 Oct 5;479(7372):228-31). Essa técnica foi essencial para o sucesso do trabalho publicado na semana passada. Sem adquirir proficiência demonstrada com essa técnica, nenhum laboratório seria capaz de realizar os experimentos descritos no estudo em questão.
    Curiosamente, qualquer busca na base de publicações mais conhecida do mundo (www.pubmed.com) indica que o prof. Moraes não publicou nenhum trabalho referente a ratos com sensores infravermelhos em jornais com peer review. Os documentos anexados ao manifesto referem-se, maiormente, a propostas e instalação experimentais, revelando escassos resultados experimentais. Além disso, na proposta do dito professor a intenção é usar estimulação elétrica da amígdala e não do córtex somestésico como efetuado pelo grupo de Nicolelis. Soma-se a isso o fato que a tarefa comportamental proposta pelo Prof. Moraes não tem nenhuma relação com o paradigma usado pelo grupo de Nicolelis para demonstrar o estabelecimento de um novo canal sensorial a partir do uso do córtex tátil.
    Em resumo, a simples sugestão de que o prof. Nicolelis teria se valido de fórum privilegiado para obter informações ou idéias acerca de como conduzir seus estudos não é somente risível e carente de qualquer prova real; ela é caluniosa, difamatória e como tal ela será tratada daqui para frente. No devido momento e no devido fórum, todos aqueles que subscreveram a mais essa denúncia vazia, que faz parte da infindável sequência de atos de calúnia, sabotagem e difamação liderados pelo professor Sidarta Ribeiro, desde que esse e seus colegas da UFRN optaram voluntariamente em romper uma parceria com o IINN-ELS, quase dois anos atrás, serão chamados em juízo para revelarem as provas concretas que supostamente dão subsídio a mais esse absurdo.
    Com respeito aos questionamentos de Miguel Nicolelis ter mantido sigilo sobre os trabalhos no projeto de rato infravermelho, ressaltamos que no mundo acadêmico nenhum pesquisador é obrigado a revelar trabalhos em andamento de seu laboratório antes que eles estejam concluídos e os achados tenham sido exaustivamente confirmados e validados. Dado o alto caráter inovador desse projeto, como precaução optou-se por esperar pela publicação do trabalho para oficialmente comunicar-se os seus achados. Entretanto, vale ressaltar o livro publicado pelo prof, Nicolelis (Muito Além do Nosso Eu, Cia de Letras), que vendeu por volta de 40.000 exemplares somente no Brasil, esteve disponível por quase 2 anos sem que nenhuma ilação ou insinuação leviana fosse levantada pelo mesmo grupo que agora, logo após a publicação do estudo e sua repercussão mundial, oportunisticamente tenta vir a público questionar a paternidade das idéias que o nortearam.
    Depois dessa acusação velada e sem fundamento, o manifesto passa abruptamente da descrição dessa reunião do INCEMAQ, que teve lugar em Julho de 2010, para a remoção do grupo assinante deste INCT em Julho de 2012. O manifesto ignora os eventos acontecidos entre Julho 2010 e Julho 2012, que passo a descrever brevemente:
    – Nesse período foram múltiplas as tentativas sem sucesso de Sidarta Ribeiro e associados de se apropriar de recursos e equipamentos destinados ao uso e funcionamento de IINNELS, instituição sede do INCEMAQ, como constam das cláusulas de contratos assinados com a FINEP e CNPQ. Ambas as agências, depois de conduzirem múltiplas auditorias e de enviarem comitês de cientistas para vistoriar todas as dependências do IINNELS, deram ganho de causa a AASDAP, entidade mantenedora desse instituto.
    – Depois da decisão de abandonar a parceria com o IINNELS, o prof. Sidarta Ribeiro e seus amigos e colaboradores, membros do comitê gestor do INCEMAQ, protocolaram um pedido ao CNPQ (carta enviada em 02/10/2011) para remover da coordenação desse projeto o professor Miguel Nicolelis, único especialista em interfaces cérebro-máquina do grupo e idealizador da proposta do primeiro Instituto de Interfaces Cérebro Maquina, como parte do programa de Institutos Nacionais do CNPQ. Em carta, supostamente assinada por grande maioria do comitê gestor, o prof. Sidarta Ribeiro listou uma série de razões para justificar tal pedido. A única justificativa que faltou nessa enorme lista foi à verdadeira razão que motivou o pedido: a solidariedade prestada por antigos amigos e associados de longa data do professor Sidarta, que junto com ele não se conformaram com o fato de não se poder transferir para o recém-criado Instituto do Cérebro da UFRN todos os equipamentos que foram acumulados, com grande sacrifício e trabalho, pelo IINNELS, nos seis anos que antecederam a cisão com o grupo de professores da UFRN liderados pelo prof. Sidarta Ribeiro. Basicamente, o pedido de remoção do prof. Nicolelis não passava de uma tentativa de “golpe de estado” perpetrado por vínculos de amizade com alguém que passou a ter como missão de vida a destruição tanto do IINNELS como da reputação do seu idealizador, prof. Nicolelis.
    Pois bem, de posse da carta dos membros do comitê gestor, o professor Nicolelis e sua equipe do IINN-ELS prepararam uma reposta completa a essas acusações que foi remetida ao CNPQ e ao comitê gestor dos Institutos Nacionais. Nessa resposta, demonstrava-se claramente, com dados e fatos, a improcedência de todas as queixas, reclamações e pleitos dos membros do comitê gestor. Nesse interim, para nossa total supressa, dois dos supostos signatários do pedido de remoção do prof. Nicolelis, prof. Manoel Jacobsen, vice-coordenador do projeto INCEMAQ, e Dr. Erich Fonoff, escreveram uma carta (http://tinyurl.com/bg5n9ed) a direção do CNPQ informando que eles não tiveram conhecimento do pedido de remoção (apesar de seus nomes constarem do pedido formal enviado ao CNPQ) e, como tal, não apoiavam o mesmo. Contrariando frontalmente seus colegas do comitê gestor, os Drs. Jacobsen e Fonoff informaram ao CNPQ que se sentiam a vontade e satisfeitos em continuar trabalhando sobre a coordenação do prof. Nicolelis. Evidentemente, essa carta questionou a validade do documento submetido pelos membros do comitê gestor que tomaram as dores do professor Sidarta em sua disputa com o IINNELS. Vale ressaltar que o prof. Mauro Coppelli, outro membro do Comitê Gestor, também não assinou essa carta.
    – Durante esse período, o prof. Sidarta publicou, em 29 de Agosto de 2011, o artigo intitulado “Cross-modal responses in the primary visual cortex encode complex objects and correlate with tactile discrimination” na prestigiosa revista americana “Proceedings of the National Academy of Sciences USA (PNAS)”. Era fato notório que os dados experimentais descritos nesse artigo tinham sido todos obtidos nos laboratórios da Duke e do IINN-ELS. Contudo, na versão final do manuscrito foram ignorados tanto uma das fontes de financiamentos do trabalho (National Institutes of Health – NIH), como a afiliação do prof. Sidarta Ribeiro ao IINN-ELS no período em que o estudo foi realizado. Ao invés, o prof. Sidarta Ribeiro, já em litígio com o IINNELS, optou por indicar apenas a sua afiliação com o recém criado Instituto do Cérebro da UFRN, que naquela altura não tinha nem equipamentos nem pessoal qualificado, nem financiamento suficientes para realizar qualquer dos experimentos descritos naquele trabalho. Claramente, o professor Sidarta tentou usar dados colhidos enquanto ele era funcionário do IINNELS para tentar vender a idéia que o seu novo Instituto já era capaz de produzir ciência de ponta como o IINNELS.
    – Como é sabido no mundo acadêmico, ignorar fontes de financiamento e afiliações é considerado um exemplo de conduta inapropriada. Assim, como resultado de um protesto formal submetido pela direção do IINNELS, acolhido pelo corpo editorial e o editor chefe da revista PNAS, o professor Sidarta Ribeiro foi obrigado a postar uma correção formal do seu artigo onde tanto a sua afiliação verdadeira (com o IINNELS), bem como as fontes de financiamento tiveram que ser explicitamente reveladas (http://www.pnas.org/content/109/3/995.2.short). Afora a remoção completa do trabalho, não existe punição mais humilhante que um cientista profissional possa ser sujeito do que ser obrigado a retratar-se publicamente por causa de erros tão crassos como os cometidos pelo pesquisador em questão.
    Depois de quase um ano de análise dos documentos, mais as auditorias do IINNELS e da visita de uma comissão de cientistas independentes, o CNPQ e o Comitê Gestor dos Institutos nacionais deram ganho de causa total ao professor Nicolelis e ao IINNELS. Além disso, como a tentativa de destituição de Miguel Nicolelis da coordenação de INCEMAQ foi baseada em documento onde dois supostos signatários desautorizaram o uso de seus nomes, e levando-se as graves omissões descobertas no artigo de autoria do professor Sidarta Ribeiro no PNAS, se caracterizou uma total quebra na confiança nos membros rebelados do comitê gestor de INCEMAQ. Esse fato impossibilitou a continuidade de qualquer colaboração produtiva e amigável. Desta forma, a presidência do CNPQ autorizou a remoção de Antônio Carlos Roque da Silva Filho (USP-RP), Cláudia Domingues Vargas (UFRJ), Dráulio Barros de Araújo (UFRN), Márcio Flávio Dutra Moraes (UFMG), Reynaldo Daniel Pinto (USP-SC) e Sidarta Ribeiro (UFRN) do Comitê Gestor e do grupo de pesquisadores do INCEMAQ. De porte dessa autorização formal, o professor Nicolelis comunicou oficialmente por email a todos os referidos pesquisadores a sua remoção do projeto. Ao mesmo tempo, o professor Nicolelis reconstituiu a equipe de pesquisadores e o Comitê Gestor do INCEMAQ. Hoje esse projeto, que foi renovado para os próximos dois anos, continua a desenvolver suas linhas de pesquisa em harmonia, valendo-se de um novo grupo de cientistas que tem como único interesse produzir ciência de ponta que possa ter um retorno fundamental para a sociedade brasileira. Após a remoção do grupo supra-citado, nenhum outro problema surgiu e nenhuma solicitação ou questionamento do grupo de ex-pesquisadores nos foi remetido. Causa estranheza, portanto, que quase um ano depois dessa decisão, e logo após a publicação de um trabalho do grupo do professor Nicolelis que teve repercussão mundial, o mesmo grupo tenta criar uma história totalmente ficcional para explicar o que ocorreu no período entre julho de 2010 e julho de 2012 quando a colaboração foi oficialmente encerrada.
    Mais uma vez, a tentativa torpe e descabida do professor Sidarta Ribeiro em obter a sua vingança pessoal contra o IINNELS e o seu ex-orientador e mentor deu com os burros n’agua.
    Vale ressaltar também aqui que o pesquisador Eric Thomson, como vários outros cientistas americanos e europeus, tem um vínculo com o IINNELS como pesquisador colaborador desde setembro de 2011. Ressaltamos que como instituição privada, o IINNELS tem plena liberdade para escolher os pesquisadores com quem colaborar e os termos e condições dessa colaboração, o que constitui uma prática normal em todo o mundo acadêmico e em nada diminui a contribuição do IINNELS para o desenvolvimento e progresso da ciência brasileira.
    O manifesto faz a insinuação grosseira de que utilizamos a produção de um laboratório no exterior como justificativa para prestação de contas de financiamento nacional. É infantil tentar sugerir que as agências de fomento brasileiro, cujo trabalho é “sério e sólido” segundo o próprio manifesto (visão que compartilhamos), não estão em condições de reconhecer e avaliar a produção local ou estrangeira de um artigo.
    A discussão de como queremos fazer Ciência no Brasil é legítima e necessária. Lamentavelmente os métodos maniqueístas escolhidos pelo grupo que assina o referido manifesto, e em particular as ações agressivas e as repetidas tentativas de intimidação pública orquestradas pelo professor Sidarta Ribeiro e seus colaboradores, tem ultrapassado todos os limites da civilidade e do protocolo acadêmico. Um observador imparcial, ao ler cada uma das manifestações desse grupo, poderia concluir que para eles o professor Nicolelis não tem direito, mesmo sendo cidadão brasileiro nato, de desenvolver trabalho no Brasil, envolvendo colaborações notoriamente meritórias entre o IINNELS e o Centro de Neuroengenharia da Universidade Duke. Esses mesmos pesquisadores que arrogam para si o direito de falar em nome da “ciência brasileira”, parecem também ignorar as enormes contribuições do IINNELS em promover o nome dessa mesma ciência brasileira mundo afora. Um discurso que vende o interesse de uma verdadeira “curriola de amigos” como sendo uma bandeira de interesse coletivo, que assume a defesa da “ciência brasileira” sem mandado conseguido pelo mérito de descobertas e publicações de verdadeiro impacto, mas apenas por meio de ferramentas como o jogo de bastidor, difamações anônimas pela imprensa, e manifestos com linguagem grandiosa, mas despida de conteúdo baseado em dados concretos e fatos verdadeiros, merece apenas nosso repúdio. Pois tal manifestação não apenas é arrogante, mas é essencialmente um discurso desonesto e demagógico. Um discurso que faz insinuações maliciosas, que difama e calunia pessoas e instituições integras baseado em ficção, ignorando informações vitais, é simplesmente criminoso. E como tal, daqui para frente, será tratado, com todo rigor que a lei brasileira permite.

    Rômulo Fuentes
    Diretor Científico
    Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINNELS)

  2. Romulo Fuentes
    Enviado em 25 de fevereiro de 2013 às 2:37 | Permalink

    Dating even as far back as 2006, members of the Nicolelis lab (including Dr Nicolelis, Dr Mikhail Lebedev, and many others) began brainstorming about the best way to implement a “rat sixth sense” using cortical microstimulation. For instance, would it be better to teach rats to discriminate among infrared light sources, or magnetic fields? I began serious work on the project in February 2009, and by the end of the year, we had resolved such questions (for instance, we chose to use infrared light) and began constructing the hardware to implement our ideas.

    I still have the data from the first animal I trained in the task, on January 14, 2010. We affectionately named this rat ‘ESP,’ referring to the fact that she would acquire a new sensory modality. These experiments were a labor of love for the next three years, and included generous help from an international team of researchers, including Brazil. I am very proud of our discoveries, and I was also pleasantly surprised by its positive reception in the popular press.

    I was saddened this week to see that our paper had become a political talking point by a group of neuroscientists on the internet, especially as they questioned my affiliation with the Edmond and Lily Safra International Institute for Neuroscience of Natal (ELS-IINN). I am proud to be affiliated with the ELS-IINN. In addition to visiting the Institute in 2011 and working to set up behavioral experiments, much of my collaboration with scholars in the Institute has been via the internet. In Dr Nicolelis’ lab, the focus is on science, so national boundaries tend to dissolve as we work together toward common goals. However, I have found some of the most vibrant and innovative scientific ideas coming from my Brazilian colleagues, and I greatly value these unique interactions.

    Eric Thomsom

  3. vrcota
    Enviado em 26 de fevereiro de 2013 às 14:35 | Permalink

    Fiz toda minha formação acadêmica, de IC ao doutorado, orientado pelo Prof. Marcio Moraes e o pós-doc sob supervisão do Sidarta no IINN-ELS. Conheço a história de dentro. Essa é a minha visão de toda a questão, conforme publicado em meu blog (http://takenroad.blogspot.com.br/2013/02/o-rei-esta-nu-participacao-de-nicolelis.html):

    É decepcionante e frustrante ver a resposta do diretor do IINN-ELS ao manifesto “Eu apoio a ciência brasileira” de professores que formavam o comitê gestor do INCeMaq à respeito da conduta do Sr. Miguel Nicolelis. É de se indagar como pode resultar tão pouco de um indivíduo com tão grande responsabilidade.

    De forma geral, há uma série de inconsistências na resposta: se o trabalho vinha sendo desenvolvido há mais tempo e entre participantes do grupo de Nicolelis na Duke (Lebedev, Jim Meloy, Odoherty), como ele mesmo afirma e prova com documentos, como pode o artigo ser contabilizado no escopo do INCeMaq e como produção nacional? Se o Sr. Lebedev participou tão intensamente da discussão do trabalho tal como consta nos e-mails, por que ele não figura como autor do artigo, enquanto o Sr. Rafael Carra, o único co-autor integrante de fato do sistema brasileiro, não aparece em momento algum nas mensagens? A saída do grupo de professores do IINN-ELS foi uma decisão voluntária de romper uma parceria, como afirma o Sr. Fuentes, ou, segundo seu chefe, em entrevista concedida à época do racha, “o término da colaboração já estava previsto” (http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,instituto-de-nicolelis-enfrenta-apagao-cientifico,974226,0.htm)? Há outras ainda, mas não me alongarei nesse sentido porque isso não é o principal.

    Bem mais importante que isso, a resposta é argumentativamente ruim. Trata-se de não mais do que um amontoado de vociferações repletas de falácias, previstas e desrecomendadas em qualquer manual de boas práticas de argumentação.

    Logo de partida, tem-se a falácia por apelo da força, pois o tom geral da resposta é a ameaça de judicialização do manifesto, saída trivial para quem não tem muito o que falar. Aviso ao colega chileno: isso não assusta.

    Depois, desfiam-se inúmeros ataques ad hominem contra o Prof. Sidarta Ribeiro, o Prof. Márcio Moraes e também os signatários do manifesto. A quantidade e a grosseria dos ataques (isso sim claramente judicializável) são comparáveis apenas às discussões de sessão de comentários do Youtube e violam o dever de urbanidade pelo qual deve zelar todo cientista e intelectual.

    Por fim, quase a integridade do corpo da resposta é a falácia do argumento espantalho: atacar aquilo que simplesmente não foi falado.

    Para mim, a razão dessa resposta emocional, desprovida de uma reflexão mais profunda e de uma agressividade juvenil é só uma: os manifestantes colocaram o dedo na ferida.

    Na verdade, o teor do manifesto é bastante óbvio, apesar de aparentemente ignorado por completo pelo Sr. Fuentes: denunciar como é vazio o discurso de Nicolelis. E isso é algo que a grande maioria de nós, cientistas brasileiros, já sabe muito bem, mas que alguns (bem como grande parte do público leigo) insistem em não enxergar, talvez pelo apego ao que poderia (mas infelizmente não pode mais) representar a figura de Nicolelis à ciência e à auto-estima brasileira. É lamentável, mas é a realidade.

    O discurso é vazio porque a missão do Sr. Nicolelis no Brasil é qualquer outra coisa ao invés de promover a ciência brasileira, este último objetivo bradado com toda sua poderosa voz midiática. Evidências nesse sentido começam pela sua (re-) entrada no sistema científico brasileiro, que banaliza décadas de esforços individuais na construção da ciência nacional. Seguem pelo tratamento dado à equipe científica original do IINN que na época sequer tinha o ELS (pós-doutorandos, alunos de PG e graduação). Ganham força por sua completa inépcia em cativar seguidores e colaboradores nacionais em nível de parceria (há apenas servidores). Têm seu ápice na época da cisão do instituto, com a ridicularização e humilhação de cientistas e professores da UFRN, estes com todo potencial para brilhar na ciência brasileira e mundial (é o que está acontecendo agora). Continuam com toda intensidade no episódio do esfacelamento do INCeMaq e, ao que parece, ainda não terminaram.

    Este último ocorrido, relacionado à publicação na Nature Communications, é mais uma forte evidência do desacoplamento entre prática e discurso de Nicolelis e só não enxerga isso quem não quer. O sujeito era o coordenador de um INCT, responsável, por força de edital e contrato público, pela condução de um grupo de pesquisadores brasileiros a um objetivo comum, integrativo, com união de esforços e economia de recursos. O Sr. Nicolelis, neste contrato, penhorou caro sua competência científica na loja da ciência brasileira que passou a ser credora de seu talento. Sob esse prisma, três coisas podem ter acontecido naquela reunião de julho de 2010 e todas elas condenam a atitude do Sr. Nicolelis:

    1) Ele poderia estar dormindo na apresentação e simplesmente não tomou conhecimento da proposta do Prof. Márcio (aviso de ironia didática).
    2) Ele poderia estar acordado e, ao saber da proposta, interessou-se e resolveu duplicar os resultados à revelia dos idealizadores originais.
    3) Ele pode ter tomado conhecimento da idéia e, ao perceber que era muito análoga ao que já vinha fazendo em seu laboratório, tomou uma decisão claramente contrária à ciência brasileira. Resolveu ocultar suas estratégias, usurpar a confiança de todos que naquele momento revelavam suas melhores idéias numa clara demonstração de unilateralidade desta cooperação científica e, assim, simplesmente ignorar que seu colega copartícipe e colaborador em um grande projeto fomentado com dinheiro brasileiro, iria despender anos de esforços e recursos públicos extras, duplicando experimentos que ele certamente trabalharia para concluir antes. Miguel, apesar de sua assinatura no Termo de Outorga, optou por não colaborar e não prestar seus serviços acadêmicos à sua pátria. Aliás, isso é, no mínimo, um problema ético com experimentação animal.

    Ora, sejamos honestos, todos nós sabemos que as ótimas idéias surgem de maneira muito difusa na ciência. Elas têm a ver com o zeitgeist e freqüentemente brotam espontaneamente do fértil solo do consciente coletivo acadêmico semeado não só pelas apresentações e conversas transversais em congressos pelo mundo, bem como pela cultura pop (quão rica de referências as ICM são na cultura pop!). Assim, é bastante comum, desde priscas eras, cientistas em pontos diversos do planeta apresentarem, quase simultaneamente, resultados de uma mesma grande descoberta. Ou seja, é bem possível que a idéia do 6o sentido simplesmente surgiu em mais de um lugar ao mesmo tempo e não tenho dificuldade de acreditar que Miguel e sua equipe a desenvolveram de maneira independente do Prof. Márcio. Ao que parece, o próprio Sr. Fuentes concorda com isso.

    Agora, o que o Sr. Fuentes se recusa a entender é que o manifesto não trata disso. Não há um pleito pela paternidade da idéia. O que ele não percebe, mas que é muito óbvio, é que, ao não fazer qualquer tipo de menção ao seu semelhante trabalho na reunião de julho de 2010, o Sr. Nicolelis falha gravemente como pesquisador sênior, líder de uma equipe e coordenador de um INCT. Ele não logrou sucesso em agregar sua equipe, em otimizar esforços, em valorizar a ciência em território nacional, em preservar nossos limitados recursos de pesquisa e, enfim, em promover o sistema de ciência brasileiro. E por isso, há de se repensar o infindável financiamento científico a este pesquisador.

    Para que fique bem claro: a despeito de toda a fúria da resposta, não há ilegalidades do Miguel e o manifesto não aponta neste sentido (aliás, esse tipo de competição científica predatória é louvável em alguns países em que sobram recursos físicos e humanos). Há apenas uma enorme contradição entre o que Sr. Nicolelis diz e o que faz: ele não é um colaborador, é um insaciável usuário do sistema.

    Ninguém duvida da competência científica do Sr. Nicolelis. Ela (a competência) é grande e seu trabalho, sobretudo o mais antigo, é de apreciável qualidade. Por outro lado, há falhas que podem ser graves em seus estudos mais recentes de interfaces cérebro-máquina, como tem sido observado na comunidade acadêmica. Isso acontece quando a propagando passa a ser mais importante que o conteúdo. Mais ainda, ele não é o primeiro e nem o único a trabalhar na área e é complicado dizer que seu conjunto da obra em ICM é o mais significativo, pois ignora competências como Andrew Schwartz, John Donoghue, John Chapin e tantos outros. É curioso, mas livros especializados na área reservam não mais do que parcos parágrafos sobre o cientista brasileiro.

    Por fim, o gosto amargo na boca que fica agora e que muitos se recusam a sentir é a contundente percepção de que esse frenesi todo ao redor da figura de Nicolelis, propelido por enormes quantidades de publicidade individual, não foi mais do que a volúpia do embriagado flerte com a ilusão de posicionar o Brasil no topo da ciência mundial com um Nobel. Agora é mister curar a ressaca, entendendo que Nicolelis não é um messias que nos salvará a pátria pela ciência engajada. É sim, um competente player na ciência internacional, agressivo, altamente competitivo e individualista como muito se vê no Brasil e no mundo. Passou da hora de superarmos essa visão romântica e infantil para seguir com o trabalho sério e meritório que, enfim um dia, irá nos garantir a entrada no panteão da ciência pela porta da frente.

    Prof. Dr. Vinícius Rosa Cota – UFSJ
    Orientado por Márcio Moraes da iniciação científica ao doutorado na UFMG
    Supervisionado por Sidarta Ribeiro no pós-doutorado no IINN-ELS

  4. Antonio Carlos Roque da Silva Filho
    Enviado em 28 de fevereiro de 2013 às 2:27 | Permalink

    Creio ser conveniente deixar de lado as discussões acaloradas e apaixonadas e tentar refletir um pouco sobre o real conteúdo do manifesto do qual sou signatário. Ele foi escrito com a intenção de ser objetivo e evitar possibilidades de interpretações de insinuações ocultas e é como tal que gostaria que fosse lido. Gostaria, portanto, de convidar a todos para me acompanhar numa re-leitura racional e objetiva do manifesto.

    Os três primeiros parágrafos relatam fatos, objetivos e bem documentados. Eles são (aproveito para acrescentar dados adicionais para realçar a natureza dos fatos):
    1. O propósito de um INCT é impulsionar a ciência nacional a partir da articulação de redes de grupos de pesquisa do país.
    2. O INCeMaq é um INCT. Seu coordenador é o Prof. Nicolelis e os signatários do manifesto eram membros do corpo de pesquisadores e do comitê gestor desde sua criação em 2009 até 26 de julho de 2012.
    3. Nos dias 1 e 2 de julho de 2010 o Coordenador e os signatários se reuniram em Natal na primeira reunião do comitê gestor. A reunião foi convocada pelo Coordenador através de e-mail aos signatários (de 05/05/10) com a seguinte frase: “Nessa ocasião gostaria também de agendar nossa primeira reunião de trabalho, para podermos planejar adequadamente as atividades do INCT e termos a oportunidade de promover uma discussão científica, onde cada membro do comitê gestor deverá apresentar suas pesquisas a todos do grupo.”
    4. Nessa reunião o Prof. Márcio Moraes apresentou resultados preliminares de um experimento sendo realizado por seu grupo em que um rato era implantado com um receptor de infra-vermelho acoplado a um estimulador cerebral fixado ao crânio. O Coordenador do INCeMaq, Prof. Nicolelis, não demonstrou maior interesse pela apresentação do Prof, Moraes.
    5. Quase três anos depois daquela reunião, o Prof. Nicolelis assina um artigo na revista Nature Communications que é a primeira publicação em revista científica internacional em que um implante craniano de captador de infra-vermelho é acoplado a um sistema de estimulação elétrica intra-cerebral.

    Uma coisa importante a observar é que estes 5 fatos eram aqueles aos quais os signatários do manifesto tinham acesso na data em que o manifesto foi divulgado (22/02/2013). Decorre daí que são perfeitamente lógicas e cabíveis as perguntas feitas no quarto parágrafo do manifesto: (1) se o Prof. Nicolelis já estava trabalhando no seu projeto na Universidade de Duke em julho de 2010, porque não se manifestou na reunião do grupo coordenador? ou (2) se o Prof. Nicolelis não estava trabalhando, mas achou a ideia interessante, porque não procurou envolver o Prof. Moraes numa colaboração? Isto não constitui insinuação de plágio, mas são as duas únicas possibilidades lógicas dados os fatos 1-5 acima.

    Ficamos preocupados que alguém pudesse ler o nosso manifesto como insinuação de plágio, e é por isso que deliberadamente incluímos a frase inicial do quarto parágrafo. O objetivo não é discutir plágio ou autoria de ideias. Sabemos que muitas das boas ideias em ciência ficam “no ar” por muito tempo e o que importa mesmo é quem publica primeiro um trabalho concretizando essas ideias. No caso em questão, o mérito e a primazia vão inquestionavelmente para o Prof. Nicolelis e seu grupo na Universidade de Duke.

    O que nós queremos é que o manifesto seja lido e discutido em relação à pergunta colocada em primeiro lugar no quarto parágrafo: existiu, neste episódio, por parte do Coordenador do INCeMaq, a real intenção de promover a ciência nacional?

    Agora já sabemos a resposta às nossas questões de natureza lógica do quarto parágrafo. Segundo o comentário do Dr. Romulo Fuentes feito ao nosso manifesto em 25/02/13, o Prof. Nicolelis e sua equipe na Universidade de Duke já vêm trabalhando no problema desde novembro de 2006. Isto pode, portanto, ser acrescentado como mais um fato à lista acima, porém é um fato que só era do conhecimento do Prof. Nicolelis à época da primeira reunião do comitê gestor em 2010.

    Este fato é importante porque reforça a nossa pergunta: existiu, neste episódio, por parte do Coordenador do INCeMaq, a real intenção de promover a ciência nacional?

    É óbvio que o Prof. Nicolelis, assim como qualquer um dos outros membros do comitê gestor, não tinha obrigação de revelar na reunião informações sobre qualquer uma de suas pesquisas em andamento. Atentemos, porém, para a natureza daquela reunião: (1) foi uma reunião convocada pelo Coordenador do INCT para que seus membros apresentassem e discutissem suas pesquisas; e (2) o objetivo de um INCT é agregar esforços no sentido de formar uma rede de colaboradores.

    Tendo isso em mente, podemos imaginar hipoteticamente o que poderia ter acontecido caso o Prof. Nicolelis tivesse comentado na reunião que já estava desenvolvendo um projeto parecido com o do Prof. Moraes. Por exemplo, o Prof. Moraes poderia ter proposto uma colaboração ao Prof. Nicolelis; poderia ter sugerido que um de seus alunos na UFMG fosse à Duke fazer um estágio no laboratório do Prof. Nicolelis; poderia ter convidado o Prof. Nicolelis para visitar seu laboratório; poderia ter proposto que parte do projeto fosse feita no Brasil, em Belo Horizonte ou mesmo em Natal. As possibilidades são várias e todas elas envolveriam alguma forma de rede colaborativa com participação de pesquisadores brasileiros.

    Entretanto, nada disso aconteceu e é daí que decorre nosso desapontamento com a maneira como o Prof. Nicolelis coordenou o INCeMaq durante o período em que fizemos parte dele. É em função desse desapontamento que concluímos nosso manifesto com o texto do quinto parágrafo. Gostaríamos que ele fosse lido, ponderado e discutido pela comunidade científica brasileira (incluindo o próprio Prof. Nicolelis), pelos dirigentes dos órgãos de fomento à ciência e pesquisa brasileiros e por toda a sociedade brasileira.

    Gostaria que nosso manifesto não fosse tomado como um desabafo queixoso de um grupo de pesquisadores românticos, mas como um documento que possa levar a reflexões produtivas visando aprimorar a eficiência dos INCTs.

    Antônio Carlos Roque da Silva Filho
    Professor Associado
    Departamento de Física, FFCLRP
    Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto

  5. Marcelo Oliveira
    Enviado em 14 de março de 2013 às 23:00 | Permalink

    Foi para isso que a SBNeC aumentou a anuidade? Tsc, tsc.

  6. Vitor
    Enviado em 20 de março de 2013 às 15:09 | Permalink

    Que raiva danada Vinicius tem de Nicolelis. Antes babava pelo cara e agora vive atacando ele. Deve ser porque achava que ia se dar bem fazendo isso. Não conseguiu e agora cospe no prato que comeu. Por isso saiu queimado de Natal.

  7. Stéfano
    Enviado em 8 de setembro de 2015 às 15:13 | Permalink

    Qual seria o critério adotado por Nicolelis para selecionar seus diretores científicos? Primeiro Sidarta Rbeiro, apenas um pós-doc de longa data de seu labortório na Duke University, que acabou se rebelando e saindo da Instituição, supostamente por uma vaga de garagem ter sido tirada dele. Depois esse Romulo Fuentes, que além de não ser brasileiro, na época não possuía mais que 4 ou 5 artigos de pouco vulto publicados, e que passou viver de um artigo publicado na revista Science em 2009 (será capaz de publicar outro?). Mais um que abandonou o barco, após ter sido acusado pelo pesquisador Edward Tehovnik de má conduta científica e suposta manipulação de rotinas para geração de resultados. Realmente há algo de podre no reino.

  8. Stéfano
    Enviado em 8 de setembro de 2015 às 15:19 | Permalink

    Edward Tehovnik aponta má conduta de Romulo Fuentes, diretor científico de Instituto de Nicolelis: http://www.researchgate.net/post/Does_electrical_stimulation_of_the_spinal_cord_restore_motor_function_to_Parkinsonian_animals

  9. Indignado
    Enviado em 24 de setembro de 2015 às 9:57 | Permalink

    Com certeza esta resposta não foi escrita pelo Sr. Romulo Fuentes, que possui um parco domínio da língua portuguesa. E mesmo que tenha sido, cai em total descrédito uma vez que o indivíduo acima citado não tem envergadura (tanto científica quanto moral) para se definir como defensor de nada, exceto, talvez, de seus próprios interesses. E na falta de caráter que lhe é peculiar, apenas se beneficiou de recursos brasileiros para tocar seus projetos, inclusive valendo-se da posição de diretor científico do IINN-ELS para assediar moralmente e denegrir a imagem das pessoas que serviam a seus propósitos. E não satisfeito, após ter beneficiado deliberadamente uma ex-aluna de Doutorado com quem mantinha um relacionamento que ultrapassava e muito o acadêmico, abandonou o projeto sem mais explicações. São pessoas assim que fazem as honestas questionarem se vale a pena continuar neste meio.

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  7. Por xbox live free em 16 de fevereiro de 2015 às 21:29

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