Prezados colegas da SBNeC,
Gostaríamos de divulgar o evento que realizaremos na próxima semana, que esperamos possa contribuir um pouco para remover as trevas que teimam em alastrar-se por toda parte, inclusive no ambiente acadêmico. Nosso Coletivo intitulado “Ácido Cético” está organizado desde novembro de 2006, quando fizemos uma série de exibições “comentadas” de “Quem Somos Nós?” (para um público grande, principalmente de estudantes universitários), e inclui professores (genética, física, biofísica, bioquímica, etc) e estudantes.
Vários de nós, porém, temos algumas décadas de estrada, tendo participado da Sociedade Astronômica RioGrandense, que também sempre se dedicou a combater as pseudociências. Esta é nossa segunda atividade de algum porte, e também mantemos um Blogue.
Saudações,
Jorge A. Quillfeldt
Laboratório de Psicobiologia e Neurocomputação (LPBNC)
Departamento de Biofísica – Instituto de Biociências
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
A controvérsia Evolução X Criacionismo em pleno século XXI
Convite: Justamente durante a V Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, cujo tema, este ano, é “Evolução e Diversidade”, o Coletivo Ácido Cético articulou-se com o Projeto Ciência no Planetário – Colóquios Eduardo D. Barcelos e organizou um painel completo sobre o Criacionismo e suas diferentes vertentes em constante confronto com a Ciência e o Ensino Laico. Em pleno século XXI, o movimento ressurge com a denominação de Projeto Inteligente (Intelligent Design), uma pseudociência que traz novos desafios à comunidade científica em seus esforços de divulgação e educação.
Após um mini-simpósio introdutório apresentado pelos professores Aldo Mellender de Araújo e Renato Flores, ambos do Departamento de Genética do IB / UFRGS, assistiremos e debateremos dois grandes filmes. O primeiro é O JULGAMENTO DO MACACO (Inherit the Wind, 1960), um clássico estrelando Spencer Tracy, Fredric March, Gene Kelly e Dick York, com diálogos estonteantes em uma envolvente dramatização do julgamento de John
Scopes, ocorrido em 1925. No dia 23/10 assistiremos a UM BANDO DE DODÔS – O Circo da Evolução e do Projeto Inteligente (Flock of Dodos, 2006), sofisticado documentário dirigido pelo biólogo e cineasta Randy Olson. Um Bando de Dodôs fará sua premiére nacional neste dia, com legendas preparadas pelo próprio Coletivo Ácido Cético com autorização do diretor.
Não perca essa oportunidade de conhecer um dos grandes embates da Ciência moderna às portas do aniversário de 150 anos da publicação de A Origem das Espécies (veja os originais aqui ou leia a íntegra do texto aqui), a ser comemorado durante o ano de 2009.
Local: Planetário da UFRGS (sala multimeios)
Datas e horário: dias 21, 22 e 23/10/2008, sempre às 19h
Programação * :
Dia 1 – terça-feira, 21/10, 19h
MINI-SIMPÓSIO:
(1) “Teoria da Evolução para Incrédulos”
Renato Flores, Depto. de Genética, IB
(2) “Charles Darwin e o Paradigma da Evolução”
Aldo Mellender de Araújo, Depto. de Genética, IB
Dia 2 – quarta-feira, 22/10, 19h
FILME & DEBATE: “O Julgamento do Macaco” (“Inherit the wind”, 1960). Debate com Renato Flores, Aldo Mellender de Araújo e Jorge A Quillfeldt.
Dia 3 – quinta-feira, 23/10, 19h
FILME & DEBATE: “Um Bando de Dodos – O Circo da Evolução e do Desenho Inteligente” (“Flock of Dodos”, 2006). Debate com Aldo Mellender de Araújo, Renato Flores e Jorge A Quillfeldt.
Promoção:
Coletivo Ácido Cético / UFRGS
Planetário Prof. José Baptista Pereira / UFRGS
Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS
Pró-Reitoria de Pesquisa da UFRGS
Sociedade Astronômica RioGrandense
(*) Baixe o Cartaz aqui




3 Comentários
Amigos, além das atividades de docência e pesquisa, comuns a todos os docentes de universidade pública, tenho me dedicado nos últimos anos à divulgação científica. Tenho até uma coluna quinzenal no jornal de maior circulação aqui do oeste paulista. Na coluna, além de discutir criticamente as mais recentes novidades científicas, tenho me enfrentado, com alguma freqüência, com a pseudociência e o fundamentalismo religioso (entre outros).
Já escrevi uma coluna sobre o “Quem somos nós”, sobre as mágicas diluições homeopáticas, sobre a lei da tração… É briga que não acaba mais. Lutar pela cultura da ciência, a compreensão pública da ciência, e o letramento científico da sociedade, exige uma postura mais ativa da comunidade acadêmica. Como já escrevi num artigo : “Nesse contexto, o que mais preocupa é a omissão mostrada por universidades e centros de pesquisa, incluindo aqui a imensa maioria de professores e pesquisadores, no sentido de defender mais ativamente a cultura da ciência. Pode ser falta de vontade. Mas preocupa pensar que seja falta de argumentos. Seja qual for o motivo, é bom acordar antes que seja tarde. As trombetas do obscurantismo ecoam no horizonte.”
Anexo o artigo sobre “Quem somos nós”
Abraço e parabéns pela(s) iniciativas.
Araçatuba, terça-feira, 7 de novembro de 2006
CIÊNCIA
Quem somos nós?
Roelf Cruz Rizzolo
Um tempo atrás, alguns amigos me recomendaram assistir ao filme “Quem somos nós?”. Afirmaram terem ficado extremamente impressionados com a beleza, mensagem, e com a facilidade com que assuntos complexos sobre neurociência e mecânica quântica eram abordados.
Como sou fã da divulgação científica fiquei curioso, embora a afirmação de um deles que o filme mostrava como a mecânica quântica dava suporte a algumas teorias místicas, me deixou desconfiado. Mas em nome da curiosidade científica fui atrás, do filme e da opinião dos cientistas sobre ele. Pesquisei demoradamente. Visitei sites sérios na área de neurociência e física. Li a opinião de vários pesquisadores e professores.
O resultado? Bem, confesso que raras vezes observei uma unanimidade tão grande sobre um assunto. Na melhor das hipóteses, o filme está cheio de erros.
Mas para a maioria dos cientistas das áreas envolvidas trata-se de uma deliberada tentativa de falsear e distorcer dados científicos para nos convencer sobre as opiniões místico-religiosas defendidas (e comercializadas!) pelos produtores do filme.
Ante a possibilidade de ser lançada uma versão ampliada desse “documentário”, achei que seria importante mostrar estas informações aos leitores.
Para ser objetivo, tentarei listar os erros e distorções que o filme comporta. (…) Entre os erros menos graves podemos citar:
- O filme menciona que nosso corpo contém 90% de água. Errado. O recém-nascido tem aproximadamente 78%, homem adulto 60% e mulher 55%. Há variações individuais (obesos têm menor porcentagem que magros, etc.)
- O filme menciona que nosso corpo produz 20 aminoácidos. Errado. Produzimos 12. Os 8 restantes são aminoácidos essenciais e devem ser incorporados por meio da dieta.
- A animação que mostra a comunicação entre os neurônios está errada. Os neurônios não se comunicam por meio de correntes elétricas e sim através de neurotransmissores químicos liberados nas sinapses. Essa diferença é fundamental. É do equilíbrio desses neurotransmissores que depende o funcionamento cerebral e nosso comportamento.
A lista de “pequenos” erros é bem maior. Porém, vamos agora aos disparates.
- O filme menciona que os primeiros nativos americanos não seriam capazes de ver as caravelas de Colombo porque a caravela estaria fora do “paradigma” cerebral. Isto é uma besteira. E é um engodo já que distorce conceitos cuidadosamente definidos pela neurociência como sensação e percepção para defender o indefensável. Os nativos já tinham canoas. Acreditar que colocar uma vela sobre a canoa a tornaria invisível é de dar risada. A informação é inventada. Não consta nos diários de Colombo e informações detalhadas sobre essas tribos (Arawaks ou Aruaques) desapareceram até da tradição oral.
- O filme quer nos fazer acreditar por meio de um dos seus “cientistas”, Masaru Emoto, que a formação de cristais de gelo é influenciada por palavras específicas escritas em papel e fixadas no recipiente. Por exemplo, ao escrever “amor” formam-se cristais com belas formas. Ao escrever “eu quero matar você” a delicada estrutura cristalina se desarranja.
Para os cientistas, um absurdo total. Argumentam que Emoto conhecia previamente as palavras e procurou intencionalmente os cristais apropriados entre os milhões que são formados.
O experimento nunca pôde ser repetido em nenhum laboratório do mundo. O Ph.D. de Emoto foi concedido por uma universidade não credenciada nos Estados Unidos. James Randi, aquele que desafiou nosso homem do “ra”, Thomaz Green Morton, a reproduzir frente às câmeras seus fenômenos paranormais, ofereceu um milhão de dólares para que Emoto repetisse o experimento sob controle científico. Emoto não apareceu até agora (nem Morton).
Tenho que truncar a lista por aqui. Não posso falar do “efeito Maharishi”, onde através da meditação transcendental coletiva os índices de violência teriam diminuído em Washington.
Apenas comento que o autor desse “experimento”, John Hagelin (que aparece no filme), foi honrado pela comunidade científica pelo prêmio Ig-Nobel em 1994. Assim, seu estudo está ao nível dos prêmios concedidos este ano, como por exemplo, “Porque pica-paus não têm enxaqueca?”.
Finalmente, chama a atenção que boa parte dessas informações “científicas” são comentadas por uma senhora loira com acento estranho. Ela parece possuir conhecimentos infindáveis sobre mecânica quântica e neurociência. Ao final do “documentário” descobrimos que essa “cientista” é, na realidade, Ramtha, o espírito de um guerreiro de Atlântida morto há 35.000 anos, “canalizado” pela dona de casa americana J Z Knight, que na realidade nasceu Judith Darlene Hampton em uma cidadezinha de Novo México, que hoje abriu uma lucrativa escola mediúnica (Ramtha School of Enlightenment), na qual boa parte dos “cientistas” consultados neste filme trabalha. Coincidência, não?
Enfim, leitor, não perca seu tempo. Gastar 90 minutos ouvindo Ramtha e seus amigos irá deixar você com muito tédio, muito mal informado e, pelo menos, R$ 5 mais pobre.
Roelf Cruz Rizzolo é professor de Anatomia Humana da Unesp, câmpus de Araçatuba, e escreve neste espaço quinzenalmente.
Amigo, acho k vc usa muito a razão, tbem vi o filme, tbem pesquisei muito, e na sua exencia ele diz exatamente sobre ok voce esta fazendo, olhe pro seu umbigo e vera a veracidade dos fatos contidos no filme.
c voce entendeu direito ele diz k só o observador existe, e tdo no universso é uma percepção unicamente desse observador, ele cria a realidade baseado na sua perspectiva e paradgma, certo.
isso tdo k vc escreveu, é a sua realidade, sua percepção o mundo k vc edificou unicamente pra si proprio. emprimeiro lugar voce é a prova viva d k eles estão certos. em segundo; naum axa muita arrogancia da sua parte c colocar como dono da verdade unica? s vc prestou atenção os fisicos modernos chamam a fisica quantica de probabilidaes .
e c para de buscar conhecimentos emprestado de livros e procura-los dentro do seu coração, vai perceber k vc, eu, nos somos pura mágia sim.
um abraço
Certo, ninguém é dono da verdade. Mas a verdade pode sim ser provada e experimentada. O amigo Roelf explicou com toda logica e raciocinio que o filme tem muitas falacias. E nao so isso, ele pode provar, coisa que os pseudo cinetistas do filme nao podem, nem vao.