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	<title>coNeCte &#187; Política</title>
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	<description>Blog da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento</description>
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		<title>Esperando para fumar</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 20:44:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>eduardo schenberg</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Eventos, anúncios e outros assuntos]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes]]></category>
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		<category><![CDATA[SBNeC 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Waiting to inhale]]></category>

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		<description><![CDATA[Com intuito de fomentar o debate sobre a maconha medicinal e as drogas de maneira geral baseado em evidências, e não em ideologias, PlantandoConsciência e ColetivoDAR apresentarão o premiado documentário norte-americano &#8220;Esperando para Fumar&#8221; (Waiting to Inhale, 2005, 75 min). A sessão será gratuita, com legendas em português, no CineCaxambú (Praça XVI de setembro 34), [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Com intuito de fomentar o debate sobre a maconha medicinal e as drogas de maneira geral baseado em evidências, e não em ideologias, <a href="http://www.plantandoconsciencia.org/" target="_self">PlantandoConsciência</a> e <a href="http://coletivodar.wordpress.com/" target="_self">ColetivoDAR</a> apresentarão o premiado documentário norte-americano &#8220;Esperando para Fumar&#8221; (<a href="http://www.waitingtoinhale.org/thefilm.htm" target="_self">Waiting to Inhale</a>, 2005, 75 min). A sessão será gratuita, com legendas em português, no CineCaxambú (Praça XVI de setembro 34), dia 09/09/10 as 21:00, logo após a Assembléia da SBNeC.</p>
<p style="text-align: justify;">A sessão servirá de introdução e material para reflexão para o debate do dia seguinte, sexta-feira, 10/09/10 &#8220;Neurociência e as drogas&#8221;, coordenado por João Menezes (UFRJ), com Dartiu Xavier (UNIFESP), Roberto Lent (UFRJ), Jorge Quillfeldt (UFRGS), Reinaldo Lopes (Folha de SP) e Sidarta Ribeiro (UFRN).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3101"></span>Estas iniciativas visam aprofundar a reflexão deste tema de grande relevância nacional e já em andamento neste mesmo <a href="http://blog.sbnec.org.br/2010/07/nota-de-esclarecimento-sbnec-e-a-maconha-4/" target="_self">blog</a> e em outros veículos de comunicação, tanto independentes como empresariais.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://blog.sbnec.org.br/wp-content/uploads/2010/08/Esperando-para-fumar-web.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3102" src="http://blog.sbnec.org.br/wp-content/uploads/2010/08/Esperando-para-fumar-web.jpg" alt="" width="706" height="1045" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Esperando para fumar </em></strong>explora a batalha entre pacientes, médicos, ativistas e o governo dos EUA pela legalização da cannabis medicinal. O Diretor mostra na tela estórias poderosas de indivíduos que não aparecem nas manchetes, nos trazendo para um mundo onde pacientes gravemente doentes são presos em operações armadas por cultivarem a única forma de tratamento para sua dor. Estes pacientes dão relatos marcantes do alívio que a cannabis lhes proporciona para sintomas debilitantes de doenças terminais e questionam por que o governo dos EUA continua resistindo à estudos sobre as propriedades medicinais da cannabis, quando há evidência clínica significante sobre sua eficácia em tratar sintomas do câncer, epilepsia, AIDS, Esclerose Múltipla e glaucoma. Em resposta, o governo argumenta que o movimento para legalizar a maconha medicinal é apenas uma cortina de fumaça para a legalização geral da planta.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O filme relembra a história da planta no século passado, documentando como seu uso inicial como ingrediente de medicamentos patenteados eventualmente levou à sua proibição em 1937. O filme nos leva além da mitologia dos anos 70 sobre a maconha, para um história muito diferente: a jovem Valerie Corral, co-fundadora da WAMM (Associação de homens e mulheres para maconha medicinal) é arremessada de um acidente de carro para uma posição única na história jurídica dos EUA; Mae Nutt, motivada pela perda de dois filhos por câncer, se torna uma face singular no movimento pela cannabis medicinal; e Irvin Rosenfeld, um jovem sem precedentes criminais com uma rara doença óssea descobre por acidente que maconha é a única coisa que lhe dá algum alívio. O filme segue estas histórias desde seu início até 2005, mostra a escalada do movimento de pais contra as drogas, examina esforços para legalizar a cannabis medicinal sob leis estaduais e federais e explora as diversas motivações por trás da criminalização dos doentes e convalecidos por buscarem tratamento.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O filme também mostra com exclusividade o primeiro estudo científico de larga escala com maconha medicinal nos últimos 30 anos, realizado na Universidade da Califórnia em São Francisco. Esta pesquisa revolucionária, liderada pelo Dr. Donald Abraham, testa a eficácia da cannabis em aliviar a dor para pacientes com HIV e câncer e adiciona uma excitante nova dinâmica ao debate sobre a legalização. Jed Riffe vai fundo, entrevistando o Dr. Abraham e pacientes participantes do estudo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Esperando para fumar leva o expectador dos clubes maconheiros alternativos à Suprema Corte dos EUA; dos laboratórios científicos em Israel ao jardins de maconha legalizados em Londres. Inclúi a participação de líderes, peritos e pesquisadores no assunto de todo o mundo, em ambos os lados da controvérsia sobre os potenciais terapêuticos da cannabis. Nos EUA, 13 Estados aprovaram medidas em favor da cannabis medicinal, e a Califórnia irá votar a legalização em novembro deste ano. Entretanto, o cultivo e a posse, por qualquer razão, permanecem ilegais pela lei federal. Pode-se acompanhar a batalha da perspectiva daqueles que serão os maiores afetados pelo resultado final, e examina as decisões subjetivas de quem tem acesso garantido ao tratamento. Este filme não serve como propaganda de uma opinião ou de outra, mas foca em estórias reais e na luta de pessoas de posições opostas deste espectro provocativo. Acima de tudo, Esperando para fumar abre nossos olhos para a situação única de indivíduos envolvidos em um conflito cujos resultados podem definir o limite entre a vida e a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Saudações,</p>
<p>eduardo schenberg, Doutor em neurociências (USP)</p>
<p>Fabrício Pamplona, Doutor em farmacologia (UFSC)</p>
<p>Renato Filev, Doutorando em neurofisiologia (UNIFESP)</p>
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		<title>Neurociências e direitos humanos</title>
		<link>http://blog.sbnec.org.br/2010/04/neurociencias-e-direitos-humanos/</link>
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		<pubDate>Thu, 01 Apr 2010 20:15:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>puraque</dc:creator>
				<category><![CDATA[Neurociência]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Prezados Colegas: Tem havido uma preocupação crescente, entre neurocientistas de diversos países, com a utilização de resultados de pesquisas em neurociências e comportamento em favor de atos que violam brutalmente os direitos humanos, como em torturas e em ações militares agressivas. O manifesto abaixo, liderado pelo Dr. Curtis Bell (Pesquisador Senior Emérito da Oregon Health [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prezados Colegas:<br />
Tem havido uma preocupação crescente, entre neurocientistas de diversos países, com a utilização de resultados de pesquisas em neurociências e comportamento em favor de atos que violam brutalmente os direitos humanos, como em torturas e em ações militares agressivas. O manifesto abaixo, liderado pelo Dr. Curtis Bell (Pesquisador Senior Emérito da Oregon Health and Science University), resume e traduz a preocupação deste grupo de pesquisadores sobre o assunto. A pedido do Dr. Bell, estamos publicando no blog da SBNeC o manifesto na sua íntegra, com 3 objetivos principais:<br />
1) Dar ciência aos sócios que este movimento existe;<br />
2) Abrir um espaço para discussão sobre o assunto neste fórum;<br />
3) Solicitar que, aqueles que concordam com as bases do manifesto, o assinem.</p>
<p>O Dr. Bell pode ser diretamente contado no endereço que consta no manifesto.</p>
<p>Atenciosamente,<br />
José A Alves Gomes<br />
Pesquisador INPA/LFCE<span id="more-2197"></span></p>
<p><em>Dear neuroscience colleagues,</em></p>
<p><em>We are all aware of the many contributions that neuroscience makes to human health and to a deeper understanding of our nature. Such contributions are the bright side of neuroscience but there is also a dark side. Neuroscience, like any other branch of knowledge can be used for good or ill, and some applications of Neuroscience can damage our collective human life. Neuroscience can be used, for example, to enhance torture or aggressive war, both of which are crimes under international and national laws. Our goal as human beings and neuroscientists should be to create a culture within the field in which applications that enhance human well-being are encouraged, whereas those that damage human well-being are discouraged. Accordingly, a pledge is circulating internationally among neuroscientists that commits the signer to the following:</em></p>
<p><em>a) Making themselves aware of the potential applications of their own work and that of others to applications that violate basic human rights or international law such as torture and aggressive war.</em></p>
<p><em>b) Refusing to knowingly participate in the application of Neuroscience to violations of basic human rights or international law.</em></p>
<p><em>Thus, the pledge simply commits the signer to following the basic ethical principles of recognizing the bad as well as the good effects of their actions and of acting in accordance with the law.</em></p>
<p><em>Once sufficient signatures are gathered, an effort will be made to include the substance of the pledge within ethics statements of national and international neuroscience societies.<br />
The pledge may be read and signed online at: <a href="tinyurl.com/neuroscientistpledge">tinyurl.com/neuroscientistpledge</a><br />
More background on the pledge may be found in an opinion piece published in New Scientist <a href="http://www.newscientist.com/article/mg20527465.900-neurons-for-peace-take-the-pledge-brain-scientists.html">here</a>.<br />
Signatures on this pledge will not stop aggressive wars or violations of fundamental human rights, or even stop the application of neuroscience to these purposes. But signatures on the pledge will help make such applications less acceptable. In signing, neuroscientists will join with others in helping to move the world toward a culture of peace and respect for human life.</em></p>
<p><em>If you agree, please sign the pledge.<br />
</em></p>
<p>Sincerely,<br />
Curtis Bell<br />
Senior Scientist Emeritus<br />
Oregon Health and Science University<br />
<a href="bellc@ohsu.edu">bellc@ohsu.edu</a></p>
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		<title>Proposta de financiamento das taxas de publicação de artigos em “open access journal”</title>
		<link>http://blog.sbnec.org.br/2009/11/proposta-de-financiamento-das-taxas-de-publicacao-de-artigos-em-%e2%80%9copen-access-journal%e2%80%9d/</link>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 21:36:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>coNeCte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Niterói, 05 de novembro de 2009. Prezadas/os   Senhoras/Senhores Tendo em vista a dificuldade intransponível dos pesquisadores que estão sem recursos disponíveis para pagar a taxa de publicação em um “OPEN ACCESS JOURNAL”, gostaria de sugerir aos órgãos de fomento (CNPq, CAPES, FAPERJ, FAPESP, FINEP, etc), a criação de um fomento dirigido aos pesquisadores que não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Niterói, 05 de novembro de 2009.</p>
<p>Prezadas/os   Senhoras/Senhores</p>
<p>Tendo em vista a dificuldade intransponível dos pesquisadores que estão sem recursos disponíveis para pagar a taxa de publicação em um “OPEN ACCESS JOURNAL”, gostaria de sugerir aos órgãos de fomento (CNPq, CAPES, FAPERJ, FAPESP, FINEP, etc), a criação de um fomento dirigido aos pesquisadores que não têm disponibilidade financeira oriunda de outras fontes.</p>
<p>A análise e o trâmite desta solicitação deveriam ser rápidos, baseando-se na qualidade do periódico em tela e da comprovação do aceite do paper, bem como da impossibilidade institucional de realizar este pagamento.</p>
<p>Esta solicitação de recursos deveria ser encaminhada rapidamente pelo Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-graduação, o qual poderia através de suas assessorias verificar qual órgão de fomento seria mais adequado para obter o financiamento, bem como garantiria a veracidade das informações sobre a ausência dos recursos que estão sendo solicitados pelo pesquisador. Este procedimento evitaria favorecimentos e &#8220;fraudes&#8221; no cumprimento das regras.</p>
<p>Atenciosamente,</p>
<p>Luiz G Gawryszewski, MD, PhD</p>
<p>Professor Associado II do Departamento de Neurobiologia</p>
<p>Pesquisador 2 do CNPq</p>
<p>e-mail: gawryszewski.lg@pq.cnpq.br</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Perfil do Aluno e do Professor de Ensino Superior</title>
		<link>http://blog.sbnec.org.br/2009/10/perfil-do-aluno-e-do-professor-de-ensino-superior/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 02:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Minc</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos, anúncios e outros assuntos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>

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		<description><![CDATA[Discussão sobre o perfil atual do aluno e do professor de ensino superior.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.nima.puc-rio.br"><img class="size-full wp-image-1628 alignright" src="http://blog.sbnec.org.br/wp-content/uploads/2009/10/DSC037401.JPG" alt="Ensino" width="384" height="288" /></a></p>
<p>Sou aluno de mestrado do programa de pós-graduação em saúde mental e psiquiatria do IPUB/UFRJ. Comecei a ler os posts do coNeCte pois a minha linha de pesquisa é em neurociências, eletrofisiologia, EEG e controle motor. Acredito que assim como eu, outros participantes do blog são professores e vivenciam situações similares às discritas nesse post e por isso, independente do blog ter um foco mais científico, acho a discussão pertinente. Atualmente trabalho como professor substituto na graduação da UFRJ. Quando eu era estudante, criticava muito o ensino durante a graduação. Discutia muito questões sobre a qualidade dos cursos, sobre professores que fingiam ensinar e alunos que fingiam aprender. Ficava muito triste com professores que faltavam constantemente, que pareciam estar obrigados a ensinar aquela disciplina sem o menor prazer e outras coisas. Meus colegas de classe também eram alvo de crítica, pois a grande maioria deles parecia estar ali apenas atrás de um diploma e nada mais. Como citei no começo do texto, agora eu sou o professor e compreendo totalmente porque certos professores podem ter perdido o gosto de ensinar e porque certos professores também não fazem questão. Comecei esse texto porque estou no meio do mestrado e por mais que tenha muito prazer em ensinar, fico muito frustrado com situações do ambiente em que trabalho e me questiono constantemente se a vida acadêmica é o que eu quero. Vou apresentar certas idéias para discutir com outros colegas educadores.<span id="more-1626"></span></p>
<p>Percebi durante a graduação e hoje como professor, que o aluno ingressa na universidade com uma visão de ensino que é criada durante toda a educação básica brasileira e permanece no ensino superior. A meta é decorar o que vai cair na prova para conseguir notas e se aprovado no final do período. Não vejo a menor preocupação em grande parte dos estudantes em evoluir como ser humano, de sintetizar novas idéias a partir dos conhecimentos aprendidos durante a graduação, aprendendo de verdade. Observo apenas a mera reprodução de conhecimentos, sem questionamentos ou críticas. Sinto que a imagem do professor como mestre, formador de caráter e agregador de valores se perdeu há muito tempo. Hoje em dia, o estudante tem o professor como um mero prestador de serviços, alguém que fornece informações ao longo de 4/5 anos necessárias para se obter um diploma.</p>
<p>Durante conversas com outros colegas, também constatei certos perfis de professores. O professor da universidade particular precisa ser flexível e compreender a idéia do aluno como cliente: se ele for um professor muito rígido, poderá reprovar muitos alunos, que não vão ficar satisfeitos pela cobrança e irão reclamar com o coordenador ou podem abandonar o curso (menos pessoas pagando mensalidades); se ele for um professor muito relaxado e cobrar pouco, os alunos também vão reclamar. Logo, ele precisa ser o professor flexível, ou seja, não ensina nada de muito complicado, cobra o básico para evitar reclamações ou aumenta um pouco o nível de cobrança, mas fornece trabalhos extras e outros mecanismos para recuperar notas baixas e evitar reprovações. No caso da universidade pública, a história é um pouco diferente. Durante os dois primeiros anos de probatório, o professor tenta ser manter o perfil flexível, mencionado anteriormente, para evitar problemas. Passado o probatório, ele faz a sua escolha: pode ser um professor dedicado, que se preocupa com os alunos, na forma como está passando o seu conhecimento adiante e cobra do aluno independente da possibilidade de reprovação (o problema da reprovação é que um aluno reprovado significa um aluno a mais no próximo período e uma turma ainda mais lotada); pode ser um professor que faz o que bem entender durante as suas aulas, já que não existe a menor cobrança de chefes de departamento ou dos próprios alunos, ou um professor que tenta ensinar alguma coisa, que torce para que os alunos aprendam e leva a vida assim.</p>
<p><a href="http://blog.sbnec.org.br/wp-content/uploads/2009/10/qualidade_ensino.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1629" title="qualidade_ensino" src="http://blog.sbnec.org.br/wp-content/uploads/2009/10/qualidade_ensino.jpg" alt="qualidade_ensino" width="400" height="371" /></a></p>
<p>Levantei durante esse pequeno texto algumas questões sobre os alunos e os professores dos cursos de graduação. Sei que apenas uma reforma total da Educação, onde professores receberiam um salário justo, com todas as instituições, desde o primário até a universidade, estruturadas com tudo necessário para um ensino de qualidade e, além disso, um sistema onde o aluno seja estimulado a pensar e sintetizar conhecimentos mudaria o quadro atual. Em relação ao ensino superior, tenho sugestões como uma avaliação dos alunos e dos professores quanto a questões de didática, se o objetivo para aquela disciplina foi alcançado e se não alcançado, o que faltou e o que poderia ser modificado. O ensino particular não pode ter essa visão do aluno como cliente e sim que a qualidade do ensino irá atrair mais alunos e o professor é o maior responsável por essa qualidade. Quanto ao ensino público, deveriam existir formas eficazes de acompanhar o desempenho do professor e punir aqueles que faltam constantemente ou que não tem compromisso com ensino. Aproveito para parabenizar o blog e agradecer pelo espaço para discussão.</p>
<address>Daniel Minc<br />
Bacharel em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro<br />
Pesquisador do Laboratório de Mapeamento Cerebral e Integração Sensório-Motora IPUB/UFRJ<br />
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental e Psiquiatria (PROPSAM) IPUB/UFRJ</address>
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		<title>Feijoada na cabeça:  Política internacional, Estabilidade econômica, Olimpíada e&#8230; Ciência!</title>
		<link>http://blog.sbnec.org.br/2009/10/feijoada-na-cabeca-politica-internacional-estabilidade-economica-olimpiada-e-ciencia/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 20:18:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Yossi Zana</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Resumo: Qual é a imagem que os europeus têm em mente dos Brasileiros? Quais são os ingredientes da feijoada pela qual queremos ser lembrados? Porque nos leitores do fórum científico da SBNeC devemos se preocupar com a olimpíada de 2016? Neste texto vou tentar responder estas e outras questões apresentando uma consideração multifacetada da percepção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1547" title="Feijoadada na cabeca" src="http://blog.sbnec.org.br/wp-content/uploads/2009/10/Feijoadada-na-cabeca-300x228.png" alt="Feijoadada na cabeca" width="300" height="228" />Resumo: Qual é a imagem que os europeus têm em mente dos Brasileiros? Quais são os ingredientes da feijoada pela qual queremos ser lembrados? Porque nos leitores do fórum científico da SBNeC devemos se preocupar com a olimpíada de 2016? Neste texto vou tentar responder estas e outras questões apresentando uma consideração multifacetada da percepção do Brasil por estrangeiros, seus efeitos sobre a produção de ciência e tecnologia e propor um mecanismo de atuação potencialmente eficaz.</p>
<p><span id="more-1542"></span><strong>Percepção Diplomática</strong></p>
<p><img class="alignright size-medium wp-image-1544" title="2" src="http://blog.sbnec.org.br/wp-content/uploads/2009/10/2-300x182.png" alt="2" width="300" height="182" />Os jornais dos últimos dias estão saturados de reportagens e colunas eufóricas em reação a mais recente conquista do Brasil, a hospedagem das olimpíadas de 2016. Na seqüência é lembrada a vitória da campanha pela Copa de 2014, os jogos Pan-Americanos e são emendadas na serie a estabilidade e resistência à crise econômica global. Estes eventos são interpretados, tanto pela mídia nacional quanto internacional, como um reflexo da evolução do poderio econômico e influência internacional que o Brasil esta ganhando de forma mais acentuada desde 2004, mas também de uma nova percepção do Brasil como pais que tem capacidade intelectual e técnica de organizar mega-eventos e a infraestrutura necessária.</p>
<p>O Brasil esta acumulando riquezas e prestígio através da estabilidade econômica e política, a ponto de temer a perda do &#8220;privilégio&#8221; de ser considerado um país em desenvolvimento, razão principal de seu recuso ao convite a integrar a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE) este ano. Serão essas as principais razões da ascensão de sua influência global? Um <em>insight</em> para a resposta pode advir da observação do caso da maioria absoluta dos países árabes: São monetariamente ricos, de economia estável e previsível e seus governantes são quase eternos. Mesmo assim, sua influencia em é pequena fora do seu limite territorial. Esta constatação intrigante pode ser compreendida ao considerarmos que as forças internacionais são constituídas e movidas a muito mais do que simples volume de moeda em caixa.</p>
<p>O que faz o Brasil diferente? O Brasil soube se relacionar com um grande número de países em todos os continentes habitados, criando laços comerciais, militares ou simplesmente de diplomáticas de alto nível. Estes laços se baseiam em interesses comuns ou na troca de apoios de causas não conflitantes, como é o caso do aumento da produção de biocombustível. O Brasil é respeitado por ter o poder de contar com o apoio de um grande número de países nos diferentes órgãos internacionais. Sua capacidade de ser percebido como pacificador nos grandes conflitos globais e defensor dos países que não são potências globais lhe permite alcançar este respeito diplomático. Junte-se a isto sua mais recente capacidade de executar um programa de estabilidade e fortalecimento econômico em um momento de crise generalizada e as conquistas acima mencionadas aparecem com naturalidade incontestável.</p>
<p><strong>Percepção Geral</strong></p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1545" title="3" src="http://blog.sbnec.org.br/wp-content/uploads/2009/10/3-300x299.jpg" alt="3" width="300" height="299" />Talvez seja o momento de questionar: O que esta análise política esta fazendo no blog da SBNeC? A ciência em modo geral é concebida pelos acadêmicos como universal, apátrida, onde o autor e país de origem do conhecimento gerado são irrelevantes. Este nobre idealismo não é observado quando é mensura a noção que cidadãos de diferentes nações têm sobre a produção e qualidade da ciência e tecnologia em diferentes países. Fora do mundo diplomático, onde o Brasil é percebido principalmente como um duro negociador e “criador de problemas” para as causas das potências, o país possui o estereótipo de um país de terceiro mundo, repleto de gente pobre, favelas onde moradores vivem em condições desumanas, de trabalho infantil, de florestas e corrupção. País onde a educação é a última prioridade a  esta no úla no último lugarnobre idealismo ne  e a ciência é de fachada, ou na melhor das hipóteses, de relevância e impacto estritamente local. País onde não se produz tecnologia e sim máquinas, onde não se desenvolve variedades genéticas melhoradas de plantas e sim onde se planta e colhem cana e soja.</p>
<p>Esta imagem não é exclusiva do Brasil. Vários estudos apontam para uma percepção negativa de países em desenvolvimento. Por exemplo, uma pesquisa da Anholt Nation Brands Index, uma empresa americana que registrou a opinião de 20 mil pessoas mundo a fora, mostra que entre 50 das maiores nações, o povo brasileiro é classificado em apreciação geral entre o 20o e 30o lugar. Correspondentemente, os produtos que carregam a marca Made in Brazil são ranqueados em iguais ou piores posições. O aspecto mais bem apreciado do Brasil é o cultural, na qual está em décimo lugar. Estes resultados foram comemorados pela mídia brasileira, pois houve uma melhora discreta em relação a pesquisas anteriores, porém pouco se analisou o significado da discrepância entre as notas nas diferentes modalidades (quem esta curioso em saber o que os Argentinos pensam dos Brasileiros e vice-versa pode entrar no site <a href="http://www.simonanholt.com/Research/research-introduction.aspx">http://www.simonanholt.com/Research/research-introduction.aspx</a>). O fato é que o Brasil esta sendo visto, popularmente como um país amigo, simpático, acolhedor e alegre, mas um que não deve ser levado a sério quando se considera investimentos financeiros e capacidade tecnológica e intelectual.</p>
<p>Diante deste quadro da percepção do Brasil, é importante registrar sua incoerência com a ocupação do 13º lugar em número de publicações indexadas, ultrapassando a Rússia e Holanda este ano, com o aumento da exportação de software e com o aumento do conteúdo nacional nos carros, ônibus, aviões e máquinas em geral aqui produzidas. Contrasta com o aumento constante da proporção de jovens estudantes, do número absoluto de doutores formados todo ano, do número de Brasileiros pesquisadores atuando em outros países, contrasta com a elaboração e execução de políticas econômicas e industriais complexas e com a formação de gigantes empresariais.</p>
<p>A percepção de pessoas das diferentes nações pode ser visto como um processo cognitivo de categorização de objetos, como argumentaram Papadopoulos e outros em artigo de 1993 no periódico European Advances in Consumer Research. Segundo estes autores, este processo ajuda a delimitar a própria nacionalidade e &#8220;preencher&#8221; lacunas de informações sobre outras. As pessoas tendem a avaliar outras nações em várias dimensões, como ideologia política, desenvolvimento econômico, geografia e população, raça e cultura. Evidências interessantes são (1) o fato de as pessoas dar maior peso às dimensões nas quais elas se avaliam como superiores e (2) das políticas governamentais correspondentes. Por exemplo, se os norte-americanos vêem positivamente seu poder econômico e política de direitos humanos e mais negativos sua dimensão cultural, os dois primeiros serão enfatizados quando da formação da imagem de países europeus ocidentais. Evidente que este etnocentrismo, chamado também da hipótese da percepção funcional de Tajfel, implica em visões distorcidas das propriedades de diferentes nações, dependendo do país do observador. Este efeito parece mais intenso na medida que consideramos um outro fenômeno, demonstrado por  Taormina e Messick em 1983 no Journal of Applied Social Psychology, na qual ocorre um &#8220;positivismo&#8221; de grupos sociais percebidos como semelhantes. Mas esta percepção de paises pode ser “manipulada”.</p>
<p>Alguns diários internacionais profetizaram esta semana que a realização dos jogos olímpicos fortalecerá o status do Brasil como um país desenvolvido. Os respectivos editores provavelmente não tinham conhecimento do estudo de Eugene Jaffe e Israel Nebenzahl, publicado no livro “Product-Country Images: Impact and Role in International Marketing”, sobre o efeito cognitivo dos jogos olímpicos realizados em Seul no verão de 1988. Mensurando a percepção de sujeitos israelenses antes e depois da exposição televisiva aos jogos, foi constatada uma mudança positiva na imagem da Coréia do Sul em relação à sua capacidade tecnológica.</p>
<p>A distância entre a percepção de um país e a realidade, tanto pelos cidadãos de outros países quanto do próprio, não é surpreendente. Até poucos anos atrás esta percepção não era longe da realidade, sendo o Brasil um país de baixo nível de desenvolvimento na maioria dos setores acadêmicos, produtivos e sociais. As mudanças aqui descritas ocorreram na melhor das hipóteses ao longo de 30 anos, se intensificaram na última década, muito pouco para alterar significativamente um estereótipo construído historicamente na mente das pessoas.</p>
<p><strong>Mais Carne (não água) e Pimenta no Feijão </strong></p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1546" title="4" src="http://blog.sbnec.org.br/wp-content/uploads/2009/10/4-283x300.png" alt="4" width="283" height="300" />Todos os estudos acima expostos sinalizam a importância do modo que cidadãos estrangeiros percebem um país. Mas como “se vende” a marca Brazil, criando uma percepção apreciadora de um país nas mentes? É mais fácil convencer uma centena de diplomatas do poder de influência política de um país do que convencer centenas de milhões de pessoas que o Brasil é produtor de ciência e tecnologia de alto nível. Qual seria o caminho? Talvez o caminho “natural”, na qual o país contribui sua parcela à humanidade, e não aquele liderado por campanhas midiáticas sem credibilidade. De certa forma, não convencional, pode-se aplicar o conceito de “é dando que se recebe”. Neste sentido, podemos apreciar o seguinte roteiro:</p>
<ul>
<li> O 	primeiro passo pode ser a valorização da produção criteriosa, 	crítica e original. Este tipo de trabalho possui o maior valor 	adicional ao conhecimento atual. Se a produção de baixa qualidade 	é relevante para a formação de cidadãos qualificados, os 	trabalhos originais executados sem concessões são aqueles 	verdadeiramente científicos. Este ponto parece óbvio, mas na 	pratica é de difícil aplicação por ser conflitante com outros 	fatores. Primeiro, exige concentração de mentes brilhantes e 	ousados, capazes de enxergar os verdadeiros desafios da humanidade e 	propor novos paradigmas em vez de seguir na linha comum e segura. 	Estes recursos humanos são sem dúvida o principal fator 	determinante de qualquer sucesso acadêmico. Conseqüentemente, 	neste sentido, um dos primeiros processos que devem ser analisados é 	o de formação e credenciamento dos pesquisadores. O fenômeno que 	o curioso estatístico encontrará no Brasil é uma taxa de 	aprovação beirando os 100% nos exames de qualificação e defesas 	de doutorado. Para entender a relevância disso para a qualidade da 	pesquisa e ensino no Brasil, imaginem ser uma empresa de avaliação 	de risco de crédito que tem certificado como altamente seguros para 	investimento todos os países que foram avaliar. Qual é o nível de 	credibilidade que esta “avaliação”? Quais são as causas e 	conseqüências da aprovação automática de facto de praticamente 	qualquer aluno de pós-graduação aqui praticada?</li>
<li> A 	produção de alta qualidade será reconhecida como tal no momento 	que será apresentada nos maiores e mais importantes fóruns 	internacionais, onde se encontram os mais proeminentes especialistas 	da área. É necessário que este tipo de trabalhos seja exposto 	oralmente em grandes conferências, pois o fato de uma pessoa ser 	convidada a uma conferência nestas ocasiões é por si um 	credenciamento da qualidade do seu trabalho. Na prática isso 	implica em interagir constantemente com pessoas de alto prestígio 	que comumente organizam estes eventos. Além disso, é evidente a 	necessidade de estar presentes em mais de uma reunião anual nestes 	fóruns, um requisito dificultado pela limitação burocrática de 	verbas para participação em eventos científicos por parte das 	agências de fomento, uma carga horária de aulas excessiva e uma 	visão corriqueira deste tipo de viagens como sendo uma oportunidade 	de turismo.</li>
<li> Muito 	se ouve da importância do intercâmbio com outros grupos líderes, 	especialmente no sentido de estar sempre a par das questões e 	técnicas chaves e atuais. Mas tem-se que tomar o cuidado de não 	criar a impressão que o sucesso do trabalho resultante se 	fundamenta na parte dos não brasileiros. É essencial que os 	próprios brasileiros apresentem os trabalhos em conferências e que 	sejam os primeiros autores em parte das publicações. Evidente que 	esta ordem de autoria deve refletir uma participação envolvente e 	crítica por parte dos brasileiros, exigindo um alto engajamento e 	criatividade desde o princípio.</li>
<li> A 	publicação dos trabalhos em periódicos de alto impacto, que o 	senso comum diria é o primeiro passo para ganhar espaço na 	comunidade acadêmica, na realidade é quase a última fase. 	Antecede este estágio todo o trabalho de formações de 	pesquisadores criativos e metodológicos, formação de grupos 	nacionais e internacionais que executam projetos integrados e 	focados em questões na fronteira da ciência e apresentações 	orais e discussões nos grandes fóruns científicos. Só então é 	que os revisores das revistas como a Lancet, Cell, Science e Nature 	recomendam a publicação dos manuscritos recebidos. É ingênuo 	acreditar que os revisores e editores aceitarão teses e descobertas 	revolucionarias de pesquisadores anônimos, confiando apenas nas 	suas palavras. Esta é uma das mais importantes razões porque a 	imagem do Brasil e da qualidade de sua ciência é da maior 	importância e o caso do processo de seleção dos laureados com os 	prêmios Nobel é a radicalização deste paradigma.</li>
<li> Encerrado 	este círculo, que culminou com estas publicações, a repetição 	desta mesma trajetória é acelerada, ganhando novos convites à 	participação em projetos de ponta, volumosos financiamentos são 	aprovados e chovem convites para participar em eventos científicos 	e entrevistas na média popular. Especificamente, uma significante 	proporção da produção tecnológica e científica é resultado de 	grandes projetos apoiados por pesados fundos e empresas norte 	americanos e europeus que vislumbram aplicações no médio ou longo 	prazo. Estes fundos investirão seus recursos em qualquer lugar, 	desde que avaliem as chances de retorno como razoáveis, e é 	exatamente esta força que pode impulsionar a ciência brasileira, 	liberando-a das amarras burocráticas do sistema de financiamento 	governamental.</li>
<li> A 	exposição na mídia popular, em diários e semanais, geralmente 	nas sessões de ciência e tecnologia, é conseqüência do impacto 	teórico e prático das descobertas ou desenvolvimento reconhecido 	pela comunidade científica. Estas reportagens baixam o pesquisador 	das suas torres de marfim e o exponham aos olhos descrentes de 	milhões de pessoas que lêem estas reportagens, em geral sem 	esquecer de citar sua nacionalidade, e eventualmente mudam suas 	percepções do país de origem.</li>
<li> O 	passo seguinte pode se dividir em duas. Pesquisadores de renome, 	muitas vezes atraindo prêmios internacionais, comumente criam em 	torno de si grandes grupos de pesquisa e de formação de novos 	pesquisadores altamente qualificados. Estes novos centros servem 	tanto como referência na academia quanto no jornalismo científico. 	Como exemplo, podemos citar o caso do Prof. Ivan Antonio Izquierdo, 	um dos mais renomados cientistas no Brasil por suas descobertas na 	área de memória e que formou em torno de si importantes 	instituições de pesquisa no Rio Grande do Sul. Curiosamente, 	nascido na Argentina, ele se mudou para o Brasil com quase 40 anos 	de idade. A outra vertente é o desenvolvimento de tecnologia até o 	estágio de produção e comercialização, gerando riquezas 	numerárias, formação de engenheiros e prestígio e reconhecimento 	do poder intelectual e engenhoso. Sendo quase um sacrilégio nas 	universidades brasileiras, muitas vezes visto como não original ou 	altamente específico e direcionado, o desenvolvimento e aplicação 	de conhecimento com fins industriais são altamente valorizados em 	todos os países desenvolvidos. Na contabilidade final, é muito 	mais caro produzir o conhecimento básico do que aplicar este 	conhecimento, dando início à fase da coleta dos frutos mundanos.</li>
</ul>
<p>Neste texto tentou-se apresentar uma perspectiva multidimensional da percepção cognitiva do Brasil que pressupõe uma percepção unificada de aspectos culturais, educacionais, de governabilidade, de economia, tecnologia e de capacidade científica. Esta percepção tem influenciado, e pode dificultar indiretamente a produtividade dos brasileiros, razão da importância de sua discussão e objetivo da identificação de meios de alterar a situação atual. O caminho sugerido acima é incompleto e certamente não se aplicado a todos os casos, como o de ciências aplicadas na qual busca soluções para problemas de características locais, a exemplo da educação e ciências sociais. Acima de tudo, desejou-se enfatizar a importância da ocupação de espaço por brasileiros na comunidade acadêmica internacional, nos fóruns de especialistas, a publicações de artigos científicos, a presença nos meios de comunicação populares, o fato da exportação de produtos genuinamente brasileiros, como fármacos, softwares e carros, gerar riquezas materiais, intelectuais e humanitárias. É desejável e possível alterar no longo prazo a percepção do Brasil na mente dos cidadãos fora do Brasil através da criação de uma feijoada brasileira de ingredientes nobres.</p>
<address>Yossi Zana<br />
Pesquisador do Núcleo de Cognição e Sistemas Complexos – NCSC<br />
Centro de Matemática, Computação e Cognição &#8211; CMCC<br />
Universidade Federal do ABC – UFABC<br />
Críticas, correções e comentários são bem vindos: <a href="mailto:yossi.zana@ufabc.edu.br">yossi.zana@ufabc.edu.br</a></address>
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