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	<title>coNeCte &#187; Rubens Zaidan</title>
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	<description>Blog da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento</description>
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		<title>Jornalismo científico: a imprensa deve ensinar a pensar</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 21:46:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rubens Zaidan</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Neurociência]]></category>

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										</div><p>Quem se dedica profissionalmente ao jornalismo científico raramente cai em &#8220;armadilhas&#8221; da pseudociência, na hora de avaliar sugestão de pautas sobre os  &#8220;produtos milagrosos&#8221; à base de barbatana de tubarão, das ervas da Amazônia ou de chás coreanos. Ou que sugere a crença em mapas de numerologia ou ímãs magnéticos contra o estresse. Nem mesmo chegará a confundir astrologia com astronomia. O riscos, segundo o jornalista Marcelo Leite, doutor em ciências sociais pela Unicamp e colunista de Ciência da Folha de São Paulo, são mais sutis. Os problemas começam com o assédio das assessorias de empresas interessadas em promoção, que entopem a caixa postal do jornalista com informações nem sempre de relevância científica ou jornalística.</p>
<p><span id="more-1157"></span></p>
<p>&#8220;O risco maior é se transformar – conscientemente ou não – numa espécie de propagandista de uma ideologia cientificista, que prega infalibilidade e inquestionabilidade&#8221; &#8211; alerta. Para ele, esse risco não é tão pequeno como pode parecer.  Geralmente, o profissional de imprensa que se dedica à área, é um entusiasta da ciência. Por isso, Leite aconselha autodisciplina, autocontrole e uma boa base de reflexão filosófica sobre ciência ou sociologia, &#8220;como forma de não se entusiasmar com os resultados parciais e reproduzir meramente os dados&#8221;.</p>
<p><strong>Fazer pensar</strong></p>
<p>Marcelo Leite acredita que o papel do jornalista de ciência não pode ser o de simples divulgador de coisas interessantes ou de informações básicas. Mas, antes de mais nada, de fazer pensar.&#8221; Debater é a missão primeira do jornalismo científico e não apenas reproduzir acriticamente uma ideologia. O jornalista não pode se esquecer que por trás dos dados existem conclusões parciais que devem se modificar com novas observações.&#8221; Lamenta que o debate no país na área de ciência seja muito passional – como a  qualidade da discussão, por exemplo, sobre o alimentos transgênicos &#8220;que inviabilizou o debate racional. Ficamos presos numa polarização, da mesma forma como agora ocorre com o debate sobre o Código Florestal Brasileiro&#8221;.  O especialista considera um erro acreditar na falta de preparo do público para participar da análise de questões técnicas e mais complexas.&#8221;A ciência deve ser debatida em público e não apenas pelos pares como se diz. Isso cria uma obrigação maior para jornalistas, professores de universidade, pesquisadores, legisladores e juizes&#8221;- assinala.</p>
<p><strong>Despreparo</strong></p>
<p>Marcelo Leite criticou o despreparo não só de jornalistas, mas dos intelectuais da área de ciências humanas, que &#8220;ao se pronunciarem sobre ciências naturais falam bobagem: o mais comum é falar coisas como sobre o principio da incerteza de Heisenberg, fazendo transposição de conceitos equivocados&#8221;. A mesma observação vale também, segundo ele, para o pesquisador das ciências naturais: quando fala sobre filosofia e história da ciência ou tenta abordar críticamente a sua própria atividade, comete erros grosseiros &#8220;com uma visão epistemológica ingênua&#8221;. Depois de defender sua tese de doutorado sobre Genoma Humano, Leite se convenceu de que a maioria dos biólogos moleculares, por exemplo, desconhecem profundamente a história da biologia molecular.&#8221; Acho que a contribuição da Filosofia e especialmente da Filosofia da Ciência – um campo aqui não tão desenvolvido &#8211; poderia contribuir para melhorar essa compreensão, gerando conseqüências positivas para o debate sobre os programas e pesquisas dentro da universidade e entre o publico em geral&#8221;.</p>
<p><strong>Antes de tudo, jornalista</strong></p>
<p>Diante dessa realidade, como o jornalista deveria se comportar? Marcelo Leite faz questão de dizer que antes de ser jornalista de ciência, o profissional não deve se esquecer de que é jornalista. E como jornalista, Leite gosta de lembrar do que chama de um &#8220;mini código de ética&#8221; que ouviu de um jornalista americano: busque a verdade, aja com independência e minimize o dano. Ressalta que a noção de verdade do jornalista não é a mesma do cientista. Este está buscando a verdade da sua especialidade enquanto o jornalista tem que ter lealdade com o público.&#8221;Sua lealdade primeira é com o público, não com o cientista e seu enfoque tem que ser da sociedade para com a ciência e não da ciência para com a sociedade&#8221;. Outra regra básica do jornalismo também é importante para a área da ciência, embora muitas vezes seja mais complicado: ouvir sempre o outro lado. Quando não existir, procurar sempre a opinião de outro profissional da mesma área, o que é uma forma de minimizar eventual dano.&#8221; Muitas vezes reproduzir a noção de que aquele pesquisador é a maior autoridade e publicou na Nature, nem sempre basta. Não se pode esquecer que a revista Science publicou um &#8220;paper&#8221; de um coreano que havia falsificado os dados. Muitas vezes o sistema de checagem pode falhar mesmo nas principais revistas&#8221;, alertou o jornalista.</p>
<p><strong>Como traduzir</strong></p>
<p>A forma de contar a notícia para o público, que não é obrigado a compreender termos científicos como gen, DNA, célula, tem muito a ver com o sucesso da transmissão do conhecimento. Leite aconselha ser didático, com o uso de metáforas e analogias, para explicação de conceitos, fugindo do uso do jargão, mas sempre tendo em mente que toda metáfora é imperfeita e que deve ser usada de maneira controlada. &#8220;O preço da metáfora é a eterna vigilância&#8221;, gosta de parafrasear. Ele se lembra do manual de redação da revista The Economist que adverte para não ser didático demais e sugere o uso da criatividade. Marcelo Leite afirma que o Brasil vive uma crise do jornalismo narrativo. &#8220;As reportagens raramente contam histórias. Quando contam, contam mal, de maneira precária. Contar boas histórias é a alma do jornalismo e uma das melhores formas de você resgatar a ciência  natural para o universo da cultura&#8221;. Ele acha que a imprensa deve contar quem são as pessoas que fazem ciência, como elas vivem e trabalham.&#8221; Faz  parte do jornalismo científico ou deveria fazer,  escrever perfis, como  é a vida dentro do laboratório, como as pessoas se relacionam, colaboram, como são inventadas as hipóteses, desenhados os experimentos, obtidas as verbas &#8211; se a pessoa souber contar uma história boa, tudo tem interesse e relevância&#8221;.       Marcelo Leite lamenta que boa parte da dificuldade do país nessa área está em lidar com a ciência natural por causa de deficiência da educação científica. Não adianta, segundo ele, que 97 a 98% das crianças freqüentem o ensino fundamental, que ainda enfrenta sérios problemas de qualidade. &#8220;Na educação científica então nem se fala&#8221; &#8211; frisou, lembrando que nas redações que freqüentou, os próprios jornalistas  e intelectuais ignoram o básico de ciência e fazem questão de  não conhecer. &#8220;Ignorância não é pecado. O pior é não reconhecer que essa ignorância seja problema. E é comum esse analfabetismo científico.&#8221;</p>
<address> *Rubens Zaidan é jornalista e está se especializando em Jornalismo Científico no Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo- Labjor- da Unicamp.</address>
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