SBNeC – Caxambu 2010 ARTSCI SATÉLITE MAIS QUE A RAZÃO DO BELO: UMA CIÊNCIA SENSÍVEL

MINI-CURSO Percepções e expressões humanas: arte, som e imagem Coordenação: Maria Inês Nogueira USP

Le Voyage dans la lune 1902 Georges Méliès

Esta proposta explora a transversalidade temática entre o universo sonoro, imagético e as Neurociências, analisando aspectos da modificação da forma de apreensão de construções artísticas que envolvem a díade som/imagem, frente ao desenvolvimento científico, tecnológico e cultural. Identificar os mecanismos envolvidos no processo de captação perceptiva, bem como seu processamento neural.

A evolução cultural e o desenvolvimento das artes requerem percepção sensorial diferenciada por parte do apreciador a cada momento histórico.     _“ É interessante observar que a música alterou-se ao longo do tempo  em função dos espaços e da iluminação em que foi praticada. Podemos imaginar que a limitada capacidade de prover luz artificial nos teatros da época de Mozart e Beethoven favorecia uma percepção sonora mais acurada, enquanto que a profusão de luzes dos teatros modernos favorece o deslocamento da atenção da platéia para aspectos visuais da performance musical. Num mundo contemporâneo em que precisamos ‘criar’ noite apagando as luzes, a visualidade compete para dominar o sonoro” (Souza, 2007).

É importante considerar a inexistência de processos de documentação sonora na época citada por Souza, portanto a reapropriação do discurso sonoro só poderia ocorrer com base na memória do ouvinte, o que requeria mais atenção na escuta.

A possibilidade de gravação de som e imagem também têm efeitos significativos na forma de construção e apreensão artística. A criação do cinema, só é possível com o surgimento de um novo aparato tecnológico, e a sua caracterização como linguagem artística, traz inexoravelmente exigência multisensorial por parte do apreciador.

Têm-se então uma imbricada relação entre imagem e movimento, posteriormente o som, tanto no Cinema, quanto em toda uma gama de outras formas artísticas criadas a partir da possibilidade de gravação de som e imagem.

Como se comportam, biologicamente os nossos sentidos com relação à produção e percepção de sons e imagens? Como se dá a adaptação perceptiva a  novas tecnologias. Como se dá a ação intersensorial perante a diversidade concomitante de estímulos?

Trazer à tona esse  complexo espectro sensorial, bem como a investigação e a compreensão desses aspectos é a motivação central dessa proposta. Assim como, identificar a importância da produção e percepção de sons,  música e imagens na educação (lei 11.769, aprovada em 2008 pelo presidente Lula, torna obrigatório o ensino de música na educação básica) e inclusão sócio-cultural.

“A escola oferece por meio dos livros, uma disciplina intelectual; por meio dos jogos, uma disciplina volitiva, mas em momento algum a escola oferece espaço para a construção poética, a disciplina de captar e realizar coisas, onde a racionalidade se funde com o emocional” (Eric Gill).

(http://anatomiadaspaixoes.blogspot.com/)

MINISTRANTES

• Prof. Marcelo Muniz (Físico, músico e luthier).

• Prof. Francisco Rômulo M. Ferreira (Físico, graduando em História pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP e Mestrando em Neurociências e Comportamento, NeC,  IP.USP ).

• Profª Drª Maria Inês Nogueira (Livre Docente em Neurociências, artista plástica,  Departamento de Anatomia, Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo – ICB-USP, linhas de pesquisa e: 1) Sistemas neurais envolvidos em reflexos e ritmos biológicos e 2: Ensino de Ciências/Neurociências e Divulgação Científica).

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

TOMO 1 Música, ciência e tecnologia; principais aspectos da evolução científica e tecnológica que contribuíram para as transformações da escuta/produção musical; confluências históricas da música e da ciência; evolução tecnológica, o nascimento dos processos de gravação e suas implicações no processo de criação e escuta musical

TOMO 2 Aspectos neurobiológicos da interação som e imagem; sistemas básicos da percepção human; mecanismos neurobiológicos da percepção sensorial na construção de significados; percepção humana; processamento sensorial, visual e auditivo; interação dos sentidos

TOMO 3 Música, cinema e cultura; a expansão dos sentidos (o processo multi-interssensorial envolvido na produção artística pela análise do nascimento e evolução do Cinema); evolução do registro e reprodução de imagem: implicações sócio-culturais; o surgimento do Cinema: imagens em movimento; experimentações imagéticas/sonoras (Ruttman, Fishinger e McLaren); som e imagem como experiências sensoriais

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

ABDOUNOUR, O. J. Matemática e música. São Paulo, Escrituras, 2003 CAMPESATO, Lílian. A Metamorphosis of the muses: referential and contextual aspects in sound art. Organised Sound, Cambridge University Press 14(1): 27-37, 2009. CANDÉ, R. História Universal da Música. São Paulo, Martins Fontes, 2001.  LANSKY, P. (1990). A view from the bus: when machines make music. Perspectives of New Music 28(2): 102-110.  LENT, Roberto. Os sons do mundo: estrutura e função do sistema auditivo. Em: Cem bilhões de neurônios. São Paulo: Atheneu, 2001. pp. 241-270. ROEDERER, Juan G. Introdução à física e psicofísica da música. São Paulo: EDUSP, 2002. SILVEIRA, Luiz Carlos de Lima. Os sentidos e a percepção. Em: LENT, Roberto. Neurociência da mente e do comportamento. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. pp. 134-181.  SOUZA, Rodolfo Coelho de. Aspectos da abstração na cognição musical e imagética. Ictus Especial – III SIMCAM, 2007  THOMPSON, E. (1995). Machines, music, and the quest for fidelity: marketing the Edison  Phonograph in America, 1877-1925. The Musical Quarterly.

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