Esperando para fumar

Com intuito de fomentar o debate sobre a maconha medicinal e as drogas de maneira geral baseado em evidências, e não em ideologias, PlantandoConsciência e ColetivoDAR apresentarão o premiado documentário norte-americano “Esperando para Fumar” (Waiting to Inhale, 2005, 75 min). A sessão será gratuita, com legendas em português, no CineCaxambú (Praça XVI de setembro 34), dia 09/09/10 as 21:00, logo após a Assembléia da SBNeC.

A sessão servirá de introdução e material para reflexão para o debate do dia seguinte, sexta-feira, 10/09/10 “Neurociência e as drogas”, coordenado por João Menezes (UFRJ), com Dartiu Xavier (UNIFESP), Roberto Lent (UFRJ), Jorge Quillfeldt (UFRGS), Reinaldo Lopes (Folha de SP) e Sidarta Ribeiro (UFRN).

Estas iniciativas visam aprofundar a reflexão deste tema de grande relevância nacional e já em andamento neste mesmo blog e em outros veículos de comunicação, tanto independentes como empresariais.

Esperando para fumar explora a batalha entre pacientes, médicos, ativistas e o governo dos EUA pela legalização da cannabis medicinal. O Diretor mostra na tela estórias poderosas de indivíduos que não aparecem nas manchetes, nos trazendo para um mundo onde pacientes gravemente doentes são presos em operações armadas por cultivarem a única forma de tratamento para sua dor. Estes pacientes dão relatos marcantes do alívio que a cannabis lhes proporciona para sintomas debilitantes de doenças terminais e questionam por que o governo dos EUA continua resistindo à estudos sobre as propriedades medicinais da cannabis, quando há evidência clínica significante sobre sua eficácia em tratar sintomas do câncer, epilepsia, AIDS, Esclerose Múltipla e glaucoma. Em resposta, o governo argumenta que o movimento para legalizar a maconha medicinal é apenas uma cortina de fumaça para a legalização geral da planta.

O filme relembra a história da planta no século passado, documentando como seu uso inicial como ingrediente de medicamentos patenteados eventualmente levou à sua proibição em 1937. O filme nos leva além da mitologia dos anos 70 sobre a maconha, para um história muito diferente: a jovem Valerie Corral, co-fundadora da WAMM (Associação de homens e mulheres para maconha medicinal) é arremessada de um acidente de carro para uma posição única na história jurídica dos EUA; Mae Nutt, motivada pela perda de dois filhos por câncer, se torna uma face singular no movimento pela cannabis medicinal; e Irvin Rosenfeld, um jovem sem precedentes criminais com uma rara doença óssea descobre por acidente que maconha é a única coisa que lhe dá algum alívio. O filme segue estas histórias desde seu início até 2005, mostra a escalada do movimento de pais contra as drogas, examina esforços para legalizar a cannabis medicinal sob leis estaduais e federais e explora as diversas motivações por trás da criminalização dos doentes e convalecidos por buscarem tratamento.

O filme também mostra com exclusividade o primeiro estudo científico de larga escala com maconha medicinal nos últimos 30 anos, realizado na Universidade da Califórnia em São Francisco. Esta pesquisa revolucionária, liderada pelo Dr. Donald Abraham, testa a eficácia da cannabis em aliviar a dor para pacientes com HIV e câncer e adiciona uma excitante nova dinâmica ao debate sobre a legalização. Jed Riffe vai fundo, entrevistando o Dr. Abraham e pacientes participantes do estudo.

Esperando para fumar leva o expectador dos clubes maconheiros alternativos à Suprema Corte dos EUA; dos laboratórios científicos em Israel ao jardins de maconha legalizados em Londres. Inclúi a participação de líderes, peritos e pesquisadores no assunto de todo o mundo, em ambos os lados da controvérsia sobre os potenciais terapêuticos da cannabis. Nos EUA, 13 Estados aprovaram medidas em favor da cannabis medicinal, e a Califórnia irá votar a legalização em novembro deste ano. Entretanto, o cultivo e a posse, por qualquer razão, permanecem ilegais pela lei federal. Pode-se acompanhar a batalha da perspectiva daqueles que serão os maiores afetados pelo resultado final, e examina as decisões subjetivas de quem tem acesso garantido ao tratamento. Este filme não serve como propaganda de uma opinião ou de outra, mas foca em estórias reais e na luta de pessoas de posições opostas deste espectro provocativo. Acima de tudo, Esperando para fumar abre nossos olhos para a situação única de indivíduos envolvidos em um conflito cujos resultados podem definir o limite entre a vida e a morte.

Saudações,

eduardo schenberg, Doutor em neurociências (USP)

Fabrício Pamplona, Doutor em farmacologia (UFSC)

Renato Filev, Doutorando em neurofisiologia (UNIFESP)

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3 Comentários

  1. roelf
    Enviado em 1 de setembro de 2010 às 10:10 | Permalink

    Sem entrar no mérito da questão, é dificil sustentar que não exista carga ideológica nos sites do PlantandoConsciência e ColetivoDAR.
    Dizer que determinada postura nesta área é isenta de conteúdo ideológico me parece algo ingênuo.
    Acho que a discussão do dia 10 será ótima! Confio que os escolhidos para o debate representarão os diversos pontos de vista de um assunto terrivelmente delicado.
    Parabéns à SBNeC pela iniciativa.

  2. Enviado em 2 de setembro de 2010 às 10:58 | Permalink

    Roelf,
    Uma curiosidade pra você: o Plantando Consciencia não tem interesse nem vê vantagens no uso recreativo da cannabis. Nossa postura não é ideológica, mas puramente lógica: diferente do que costumam fazer políticos, sindicalistas ou grupos organizados, não estamos defendendo algo que coincide com nossos interesses pessoais. Percebemos que a questão está sombreada por preconceitos e também sabemos que guerra às drogas falhou, e tratar esta questão com seriedade é ajudar a construir um mundo com menos violência, repressão, crime e abuso de poder.

  3. roelf
    Enviado em 2 de setembro de 2010 às 15:19 | Permalink

    Muito bem colocado Marcelo, embora suspeite que meu conceito de “ideológico” foi mal interpretado. A defesa da Cultura Científica, por se tratar também de uma convicção filosófica, não deixa de ser algo ideológico (ideologia aliás, que compartilhamos conforme pode ser lido no site : “Verbalmente, o termo pode ser entendido como “Plantando Consciência” ou “Plantando com Ciência”, que diz muito a respeito do método que acreditamos ser o mais eficiente para a interpretação dos dados disponibilizados aqui.”
    Abraço

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